"Tolerância zero!"... quem não se lembra do "Seu Saraiva", personagem humorístico global, representado pelo falecido ator Francisco Milani, que era aquele que, de forma rabugenta, não tolerava nada? Nada melhor para demonstrar o momento que vivenciamos hoje em sociedade.
Tudo agora é polarizado, a sociedade é dividida em extremos, tanto no Brasil como no mundo, seja na política, governo, religião, filosofia, paixões desportivas, raça, opção sexual, enfim... parece que agora o que vale é a seguinte premissa: se você não concorda com meu pensamento, você é meu inimigo - simples assim...
No passado, nesta nação brasileira que tanto amou e ainda ama o futebol, todos eram técnicos do esporte, ou seja, todos os amantes do esporte sempre se sentiram suficientemente conhecedores do assunto para discordar dos técnicos que os times ou a própria seleção tiveram. Agora, ao que parece, a maioria se sente qualificada para vestirem a toga e julgarem, todavia, infelizmente, desprovidos da razoabilidade e proporcionalidade que norteiam àquele que legitimamente veste a toga, ou seja, o magistrado como bom julgador, partindo-se outrossim para um caminho de extremismo; a opinião de muitos, para não oficializar como pública, julga com espírito desqualificador e agressivo, demonstrando que há um espírito de intolerância reinante, seja de qual tendência for, o que pode sim conduzir a um desastre de nossa atual geração.
E neste ponto, parece que as redes sociais, a Internet, potencializou a intolerância. É o oito ou oitenta reinante, todavia, como li em um artigo denominado "O maniqueísmo é o ópio dos tolos" do jornalista Luiz Ruffato, no jornal espanhol "El Pais": o problema é que nós, os brasileiros, por algum motivo, permanecemos confinados a essa visão infantilizada e binária que nos impede de enxergar algo que até a autora de best-seller Erika Leonard James já descobriu: entre o preto e o branco há pelo menos 50 tons de cinza...