Os "pancadões", maneira absurda de se demonstrar, ao que dizem alegria e felicidade, têm se transformado em constantes transtornos.
Moradores das cercanias onde acontecem as festas, impedidos de se entregar ao merecido descanso, com constância externam os seus dissabores e insistem em providências dos órgãos públicos.
Atendendo aos reclamos, a Prefeitura de São Paulo colocou em prática política proibitiva, comparecendo aos locais previamente conhecidos e aplicando as punições cabíveis, além de, às vezes, confiscar os aparelhos sonoros.
Louvável a atitude do alcaide "pop star", há, no entanto, sério reparo a fazer. Movido pelo espírito que impera nos organismos administrativos - já o disse militar graduado da polícia, "não se pode tratar da mesma forma o morador periférico e o dos Jardins" - as diligências municipais fazem diferenciação odiosa, dependendo o sítio de atuação.
Assim, mostram os jornais que, enquanto em Cidade Tiradentes, os seguranças oficiais prendem e arrebentam; pegam pelos pescoços; estapeiam; quebram objetos; usam da violência em arbitrárias prisões; sempre com a desculpa do cumprimento do dever, arrefecem os ânimos, tratam com luvas de pelica quando se cuide de centro mais abastado, em que impera classe social com vez e voz!
Na Vila Olímpia - é ainda da imprensa -, embora as irregularidades fossem as mesmas - com o adendo de ser livre a venda de maconha -, permitiu-se o achincalhe do Prefeito, o deboche explícito dos servidores destacados para a missão, a resistência à ordem, sem que se apelasse para a força bruta, ou se desse a detenção qualquer pessoa!
Vem à tona a questão que não pode calar: o folclórico senhor que se vestiu de gari, de motorista, etc., em explícita projeção midiática, estaria, agora sim, mostrando sua cara, e dando vazão às suas raízes, diferenciando os paulistanos pela casta à qual entende pertencerem? Aos periféricos "cacete e porrada", enquanto aos bem criados, quem sabe, brioches? E ousa pretender ser governador!