A região do Alto Tietê foi surpreendida, nesta semana, com a notícia de que o ex-prefeito de Ferraz de Vasconcelos, Jorge Abissamra, foi preso pela Polícia Civil da capital, em uma ação coordenada por agentes do Departamento de Capturas e Delegacias Especializadas (Decade). A prisão preventiva dele, que foi detido em sua clínica no centro ferrazense na tarde de anteontem, decorreu de uma série de investigações feitas pelo Grupo Especial de Delitos Econômicos (Gedec), do Ministério Público (MP) de São Paulo, acerca da aquisição de diversos imóveis e uma embarcação, com recursos que podem ter sido provenientes de um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro, na época em que ele governava o município.
Foi também nesta semana que a Polícia Federal prendeu os ex-governadores do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PR), e a mulher dele, Rosinha, em operação deflagrada após apurações realizadas pelo Ministério Público Eleitoral, que investiga um esquema de arrecadação de fundos ilícitos para o financiamento da campanha do casal.
Essas três prisões suscitam na população mais uma reflexão sobre o quão impunes poderão (ou não) ficar políticos envolvidos em escândalos de corrupção, desde que sejam comprovadamente culpados, após as sentenças transitadas em julgado. E não só nestes casos, em que os crimes foram cometidos durante o mandato ou a realização das campanhas políticas, mas, também, em outros delitos praticados sem relação direta com a função pública. É o que se discute, por exemplo, por um colegiado de magistrados em Brasília, que estuda a proposta de mudar as regras do foro privilegiado, fazendo com que políticos que tenham incorrido em outros crimes, não vinculados ao cargo público, respondam às acusações em instâncias inferiores.
Há aqueles que defendem ainda o próprio fim do foro privilegiado, inclusive para a magistratura, como o juiz Sérgio Moro disse, certa vez. "Da minha parte, fico muito bem sem o meu e acredito que falo, nesse sentido, pela totalidade dos meus colegas. Espero que talvez os políticos possam fazer a mesma coisa".
Talvez seja este realmente o melhor caminho para que a Justiça seja igual para todos.