Aos domingos, quase que para comprovar que o fim de semana se despede, nos poucos momentos em que a televisão permite reunião de família, assistimos em conjunto o fim do programa do Faustão.
Abomino, é bem verdade, o apresentador, que, dono de personalidade repugnante, parlapatão ao extremo, e cultor de visível vaidade, sempre mereceu o meu desprezo. Abro exceção, no entanto, para aqueles momentos, onde, ritualisticamente, procuramos desfrutar dos instantes de alegria que nos são ofertados - quem sabe, até erroneamente, eis que nos deliciamos com patetices alheias.
No domingo retrasado, porém, o estrelado moço ultrapassou o possível, em termos de grosseria e despudor.
Em quadros, repito, que deveriam se identificar pela pilhéria, trouxe à tela, agressivas cenas de explícito sexo animal, cobrindo de vergonha àqueles, que, como eu, longe de serem puritanos, preservam os recônditos em que vivem.
Digo que foi grosseiro, porque, convidado a entrar em minha casa, deveria manter a postura que se espera do hóspede mesmo que momentâneo: fineza, educação, e, acima de tudo, respeito! Sei que os dois primeiros predicados não fazem parte da personalidade grotesca daquele dito animador, mas, pelo menos respeito pelos lares dos que o prestigiam, isso deveria ter!
Verdade que não se consegue transmitir o que não se aprendeu e se pratica, mas, por meu turno, não posso aceitar que procure incutir em meu filho, o tratamento torpe, que, com certeza, reserva aos dele! Não posso aceitar, por outro lado, que o bem pago moleque global, ache que os que lhe dão sustentação mereçam receber os reflexos do deturpado quadro moral que o guia, e que fez questão de exibir!
Reflexo do que ocorre no Brasil, em que tudo se aceita sem discutir, salvo raríssimas exceções que devem ser elogiadas, não ouvi vozes se erguendo contra a inominável agressão. Sinais dos tempos? Falência da moral? É isso o que quer o telespectador? Serei eu, outra vez, o ponto fora da curva?