O STF, como se sabe, decretou o afastamento do "eterno neto", aquele moço mineiro, que galgou postos e fez fortuna, apenas, por ter tido avô que a mídia guindou ao patamar de "Herói da Pátria".
Longe de discutir as poucas virtudes de Tancredo, fisiologista de primeira hora, ou como preferem alguns, costureiro que nunca perdia a linha do Poder, impelem-me as cenas patéticas há pouco vistas no televisor.
Inconformados com a decisão colegiada - e não me atrevo a discuti-la nesta seara -, meliantes eleitos, quase todos investigados por rapinagem do dinheiro público, vociferaram aos quatro ventos, tentaram apequenar a Corte Máxima brasileira, tornar Aécio Neves vítima de injustiça a mais gritante.
E quando se dirigiam à tribuna, "caras lavadas"; desavergonhados como de praxe; em seus decorados improvisos, mostravam-se "especialistas" em Direito, apresentavam teorias as mais diversas, que, seriam risíveis não fosse o tragicismo que cerca o atual momento da política nacional.
Mais que isso: tinham a pachorra de embutir em seus discursos a certeza de que, naqueles instantes, representavam o povo, e que, ao contrário do que poderia se sugerir, não eram guiados por espírito de corpo - e por uma dose de medo do que virá, acrescento -, mas sim, "como sempre, colocavam, acima de tudo, a sociedade que representam".
"Esqueceram-se", no entanto, de "pequeno detalhe": não representam ninguém a não ser eles mesmos; dão de ombros aos eleitores, que só servem para a composição de frases de efeito, para dar de ar de credibilidade às suas mentirosas palavras.
"Olvidaram-se" que para nós são pesos mortos, figuras ridículas e caricatas, boçais a quem, pela falta de caráter que os identificam, de há muito tiveram as pretensas procurações, juntamente com os seus nomes, relegadas ao lixo da história.
Nojento o espetáculo em horário nobre, em muito ultrapassou os pecadilhos do homem nu que se exibiu no Museu de Arte Moderna.
Para eles, porém, não existe censura!