O homem é complicado mesmo, pois, quanto mais poder tem para praticar o bem mais promove a guerra. Enquanto leio na minha varanda, num relance de olhar observo o prazer de um beija-flor saboreando o néctar da flor enquanto a poliniza. Um momento tão curto, porém, nos dá espaço para refletir que cada elemento na natureza, cumprem o seu papel em benefício de todos, mantendo em harmonia saudável o ecossistema em que vivem.
Não é assim com o homem decaído que administra mal as riquezas do planeta onde mora. Desde o Jardim do Éden seu comportamento revela que veio para contrariar o Criador: se Deus diz "não" ele diz "sim", ele enfeia o belo criado pelas mãos divinas, há desarmonia naquilo que ele é, com aquilo que deseja ser, insatisfeito com a estética perfeita de Deus em todas as coisas criadas, busca deformar pelo seu bel-prazer e, às vezes, com muito mau gosto.
Na Arte, com mais facilidade, podemos diferenciar um quadro impressionista de Monet que pinta o que vê de belo na natureza - em destaque sua obra mais famosa Impressão do Nascer do Sol(1874) - com um quadro expressionista de Pablo Picasso que revela na tela seu pensamento em figuras deformadas e desestruturadas ou usando imagens geométricas sem representar a forma real, como vemos em Les Demoiselles d'Avignon(1907), ou sua angústia interior em seu quadro Guernica(1937) em que pincela os horrores da guerra.
O extenso afresco pintado por Michelangelo no teto da Capela Sistina entre 1508 e 1512, a pedido do Papa Julio II, retrata A Criação de Adão. Ali vemos o dedo criador de Deus se afastando lentamente do dedo do Homem criado a sua imagem e semelhança em espírito, intelecto e vontade. Após a queda, o único mediador, Jesus Cristo, através da sua morte na cruz, reconciliou novamente o Criador com a criatura humana arrependida, e pediu ao Pai que voltasse a tocar com o seu dedo o dedo dos seus escolhidos, transformando em seus corações o mal no bem eterno com Deus.