Em 1984 o cantor e compositor Gilberto Gil lançava seu álbum chamado "Raça Humana", com sucessos como: "Pessoa Nefasta", "Índigo Blue" e "Vamos Fugir". Além dessas, outra música que inundou os ouvidos dos amantes da música popular brasileira foi a que empresta o título deste artigo - "Tempo Rei".
No corpo da letra, Gil expressa seu desejo de que o tempo seja o motor da transformação das velhas formas de viver. "Tempo rei, ó tempo rei, ó tempo rei. Transformai as velhas formas de viver. Ensinai-me ó Pai, o que eu ainda não sei. Mãe Senhora do Perpétuo socorrei".
Pois bem. Considerando a realidade do Brasil e do mundo em 1984 e comparando-a com os dias de hoje, não sei se o tempo desempenhou tal papel. É bem verdade que, por um determinado período, o tempo trouxe uma considerável sensação de mudanças. No caso do Brasil, por exemplo, o papel social da mulher ganhou muito em importância, a luta contra a discriminação avançou e a diversidade se firmou com importante valor. Isso para citar alguns exemplos.
No entanto vivemos um momento muito estranho. O mundo e o Brasil vivem uma grande onda de conservadorismo. A violência contra a mulher tem sido recorrente, ações preconceituosas ganham espaço nas redes sociais, bem como a intolerância de diversos matizes.
Em outra parte da letra, Gil diz: "Não se iludam, não me iludo. Tudo agora mesmo pode estar por um segundo". Nesse caso, a música esbanja aparência de ser bastante atual. Temos um mundo se realinhando e sua maior potência é hoje presidida por alguém que não inspira muita confiança. Não demonstra muito respeito pelas mulheres, desfila um rosário de preconceitos contra diversos outros povos, além de dar com muita frequência declarações belicosas.
Do outro lado do balcão de negociações globais existe um dirigente que não aparenta muito equilíbrio. Kim Jong-um, líder da Coreia do Norte. É difícil imaginar que rumo essa prosa pode tomar. "Tudo agora mesmo pode estar por um segundo".
Afinal, o que nos trará o tempo rei?