A única coisa boa de um feriado prolongado, em que fomos a exceção no mundão daqueles que emendaram, é o transporte público mais vazio.
É certo que em todos os que passarmos terá mais espaço entre os ambulantes circulando entre nós, sem nos empurrar contra o próximo mais próximo.
Podemos arriscar esperarmos um pouco mais e galgarmos o assento tão desejado em outros dias, num outro trem.
Termos o sono dos justos durante o trajeto, apesar de que surpreendentemente, além de vazio, o danado do trem vai voar tão rápido que o cochilo vai ser um sopro apenas.
Dá até, em algumas ocasiões, pularmos de banco em banco, escolhendo o que for melhor naquele momento.
Entrar com mochila nas costas e encostar o umbigão na porta, sem atrapalhar ninguém.
Burlar essas pequenas regras tão importantes de nossa convivência, nos sentindo verdadeiros rebeldes dos trilhos.
Se bobear, esbarrar com algum cantor ou poeta no meio do vagão e partilhar momentos alegres com eles, dançando pelos corredores vazios.
Não ver graça em ficar twitando demonstrando como está o trajeto para os seguidores, já que muitos deles estarão dormindo no momento habitual da viagem, mas finge um "Bom Dia, pessoal" esfuziante, só para não perder costume também e passar alegria por estar sendo o único naquele momento.
Estar na condição daqueles que não estão na praia e lembrar da célebre frase "você não é todo mundo", tem que ter alguma compensação boa, não é?
Eu só consigo realmente pensar no vazio das estações.
Para mim, é inadmissível ir em pé nessas emendas ou mesmo no sábado quando venho para SP também, mas para estudar.
Já sofro no dia a dia. Sofrer nesses casos também seria um masoquismo sem tamanho, não acham?
No fundo, no fundo, a dor de cotovelo não me deixa admitir totalmente que não queria nada disso.