Cessou a era Janot. Em plano adrede preparado, o presidente sem votos optou por colocar na chefia do Ministério Público Federal, aquela que, compondo trio eleito pela classe, mais se amoldou às suas pretensões de furtar-se das garras da lei.
Ele, que já seduzira a tantos parlamentares com a compra de suas consciências a peso de ouro, agora investiu em outro campo, ao que se intui, oferecendo aos algozes, cargos em troca de impunidade.
Ao menos, foi o que deixou claro o ato de posse da novel Procuradora Geral, quando, em clara demonstração da mudança de rumos; em evidente manifestação político partidária; a senhora Raquel Dodge foi paparicada ao extremo por investigados na Lava Jato, que, sob as escusas de exercerem papéis relevantes em nossa podre República, foram congratula-la (entre Temer e Eunício - antecipadamente desculpando-me pela heresia -, a encenação lembrou o histórico quadro dos dois ladrões em torno do Salvador).
Aliás, fato chocante - e que identifica a má educação e o revanchismo do governo atual -, demonstrando a insatisfação com o antigo todo poderoso da instituição, não foi ele convidado para a passagem de comando, sequer lhe sendo designado assento especial!
E o que fez Janot para merecer isso? A seu modo, sustentou a devassa que atingiu os ladrões da pátria, os mesmos que, é consabido, tramaram nos intramuros a derrocada da operação que tem tentado passar o Brasil a limpo!
"Suas excelências", no entanto, estão acima do bem e do mal! Onde já se viu um "procuradorzinho" qualquer tentar obstaculizar as suas rentáveis negociatas?
Embora a revolta que causa esta outra escancarada tramoia, a verdade é que se oficializou a troca, cabendo, mesmo aos inconformados, aguardar as ações futuras, torcendo por se errar no prematuro diagnóstico.
A partir, no entanto, das atitudes primeiras, quando se trocam calejados funcionários, conhecedores dos meandros das investigações, por outros, novatos, o cenário afigura-se desanimador!