Aécio Neves fica de pijama em casa por ordem do STF. A prisão domiciliar noturna é concomitante ao seu afastamento do cargo de senador. Impressiona o fato de Aécio não ter sido preso como tantos outros. Um pequeno avanço sobre o PSDB que ainda não tem representantes no sistema carcerário, por enquanto.
Temos muitas delações pelo caminho e com certeza, centenas de figurões da política nacional em breve estarão atrás das grades. E que seja rápido, porque tem general avisando, que se a Justiça não fizer a parte dela o exército faz.
A parte do exército é bem distinta da parte da Justiça. Num regime democrático e civilizado não as coisas não se resolvem pela força, mas com o uso das leis, respeitando as instituições e observadas as garantias constitucionais e legais.
Não é possível que um País civilizado e com suas instituições civis funcionando sofra uma ruptura com uma intervenção das forças armadas. Um país não é um quartel, onde se grita e todo mundo obedece. As liberdades nos são caras e não abrimos mão delas. Nossos problemas e as nossas diferenças resolvemos com as regras do jogo. Não precisamos e nem queremos a intervenção das forças armadas, salvo quando solicitadas, como se dá no Rio de Janeiro, onde só a força bruta impõe alguma intimidação ao crime desenfreado e sem limites.
Enquanto isso, continuamos mandando para casa de pijamas senadores, prendendo outros em Curitiba, alguns outros no Rio, outros em Brasília e assim por diante. Não há do que reclamar. Há dez anos nunca se sonharia em ver, sequer processado um poderoso.
Hoje vemos muitos deles na cadeia e a medida em que evoluímos, não os elegeremos mais. É um processo, demora, precisa de paciência, perseverança, trabalho sério e muita coragem, como tem Sérgio Moro, que não se intimida diante das afrontas do ex-presidente Lula. Um dia estaremos livres de todos eles, mas não precisamos da ajuda do exército para isso, que não concordar que vote em Bolsonaro.