A prisão do ex-ministro de Governo, Geddel Vieira Lima, ocorrida ontem mostra que a Justiça continua agindo e punindo os corruptos do Brasil. Como dito anteriormente em dezenas de editoriais, nada mais será como antigamente. Sérgio Moro e outros juízes serão exemplos para novos advogados que estão se formando e que tentarão se inspirar nesses nomes atuantes de agora. Político corrupto vai dividir cela com ladrão de galinha no futuro.
O ponto central, agora que a Justiça começa a ser feita no País, é quantas pessoas ainda serão presas? Quantos corruptos ainda estão soltos? Quantos ainda agem? Seriam mesmo todos os brasileiros corruptos por natureza? Todos devem ir para a cadeia ou será que estamos exagerando? A verdade é que nada mudará se não cortarmos o mal pela raiz.
No dia em que o brasileiro sentir medo de roubar, de enganar e de levar vantagem sobre o outro, talvez as coisas melhorem. Hoje, isso parece ser uma tradição e um estilo de vida que passa de pai para filho. O ilegal é mantido em sigilo, e o cidadão mantém todo o restante da vida em ordem. Vai à igreja, cria uma família exemplar, possui bons amigos, mas ganha o dinheiro por meios ilícitos. Um paradoxo que ocorre em muitas casas.
Para se ter ideia do rombo causado apenas por um político corrupto, vejamos o caso de Geddel Lima, que foi pego com malas cheias de dinheiro nessa semana. Ali estavam, em dinheiro, mais de R$ 50 milhões. Valor que resolveria a situação de Poá, por exemplo, que está desesperada após perder os valores do Imposto Sobre Serviços (ISS) do banco Itaú. Ou ainda, ajudar Ferraz de Vasconcelos a sair da lama e começar a consertar viaturas e retomar os serviços básicos, parados devido à falta de verba.
No entanto, os R$ 50 milhões eram para apenas uma pessoa. Um homem desses deve possuir uma ambição realmente enorme. É como se ele ganhasse na Mega-Sena sozinho. Enquanto comerciantes fecham seus estabelecimentos por causa da economia, enquanto trabalhadores são mandados embora por falta de dinheiro das empresas, Geddel escondia
R$ 50 milhões em malas. Essa não deve ter sido a primeira vez que ele fez isso.
Um homem para chegar ao cargo de ministro do governo federal precisa estudar bastante, ser reconhecido por seu talento. Claro que existe o jogo de favores também. Mas mesmo instruído, capaz, inteligente, o ex-ministro não consegue vencer a sua ganância. E é ela quem o faz sucumbir e ter de dormir na prisão. É por isso que a honestidade não tem preço.