Como de costume, as novelas da Rede Globo - principalmente as dirigidas por Glória Perez -, buscam situações do cotidiano para criar os enredos de suas tramas. A bola da vez é a história de Fabiana Escobar, que ficou conhecida como "A Baronesa do Pó", ex-mulher de um dos maiores traficantes da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. Na televisão, a atriz Juliana Paes encarna "Bibi Perigosa", que entra para o mundo do tráfico de drogas por amor ao marido. Esta é basicamente a mesma história vivida por Fabiana na vida real há alguns anos. O assunto tem rendido críticas e elogios em alta intensidade por todo o País.
A Baronesa do Pó já virou celebridade. Lançou dois livros, distribui autógrafos e posa para fotos com famosos em seu Instagram. Situação semelhante a de Bruna Surfistinha, que também teria cometido alguns "pecados" no passado, mudou de vida e resolveu contar sua história, tanto que seu passado rendeu livros, blogs e filme.
O brasileiro tem se questionado a respeito dessas histórias. O que mais atrai nelas? A superação do ser humano em dar a volta por cima após cometer erros? Ou simplesmente o fato de ver ali, na TV ou no livro, uma história que, no fundo, todos nós conhecemos.
Não é recente essa ideia de personagens ligados ao crime no Brasil. Em 1968, a história de um ladrão de casas virou filme e caiu na boca do povo. "O Bandido da Luz Vermelha" teve enorme repercussão. A forma com que o criminoso João Acácio praticava seus assaltos se tornou uma lenda como a de "Jack O Estripador". Ele desligava a energia elétrica das casas e as invadia carregando uma lanterna vermelha.
A retratação da vida real nas telas é normal. O problema é quando a idolatria por esses personagens chega nas pequenas cidades e bairros. Aqui pela região temos vários fatos que seriam boas histórias de terror na mente de diretores, como o caso de um pedófilo de Itaquaquecetuba que abusou de mais de 200 crianças ou de um maníaco que saiu matando moradores de rua com um facão em Mogi. No entanto, preferimos que esses personagens não sejam glorificados como a "Baronesa do Pó".