Se nada é verdade, não é verdade que nada é verdade: a fórmula se autodestrói! E sem se refutar. Se nada é verdade e sem a mais banal refutação: o fim da razão! Não se pode mais pensar, ou antes, pode-se pensar qualquer coisa, o que dá na mesma. Tudo é possível. O próprio real se torna inapreensível: não há fatos, e haja interpretações!
Na ausência da verdade não haveria conhecimento, portanto, nem o progresso deles derivado. Se não houvesse valores, ou se eles não valessem nada, não haveria direitos humanos, tampouco progresso social e político: não haveria civilização! Agravados sob a exigência de direitos, sem dar responsabilidades, em troca! Todo combate seria vão, e o pior: toda paz, também!
Valendo-se da ignorância da maioria, a classe política atual vive de atropelar a verdade. Tudo se equivale sem se dar conta que se está dando corda ao pior. Se tudo se equivale, nada vale: uma ciência não passa de uma mitologia como outra qualquer; o progresso não passa de uma ilusão; uma democracia respeitadora dos direitos humanos não é em nada superior a uma sociedade escravagista e tirânica. O que resta, então, de progresso e de civilização? É evidente que eles não são: nem lineares, nem garantidos. Isso justifica que se trave sério e contínuo combate por eles, não que a eles renunciemos!
Os que nos atropelam enveredam por duas sendas: da sofística e da niilística! Sofística: como muralha, a da racionalidade contra a sofística e a do humanismo, contra o niilismo. Juntas compõem as luzes como são chamadas desde o século XVIII! Discurso se submete a outra coisa que não a verdade ou que pretende submeter a verdade a outra coisa que não a si mesma. Niilística: quando todo discurso pretende derrubar ou abolir a moral, não por ser ela relativa, como todos sabem e admitem, mas porque seria mentirosa, quando não nefasta. A essa dupla tentação da nossa época é urgente, principalmente para todos os que ainda pactuam pela razão opor dupla oposição
Não é verdade que tudo é permitido! Ou depende de cada um de nós que não o seja. Fidelidade é dever à humanidade! Humanismo prático: sem subterfúgios! Não há nada tão belo e legítimo quanto fazer bem e devidamente o papel que nos cabe como humanos: desenvolver nossa humanidade. Humanismo: como ato contrário a qualquer sofisma, contra qualquer imposição niilística!