O livro bíblico dos Juízes repete por várias vezes, referindo a diversos ciclos vividos por Israel, que naquela época "cada um fazia o que era certo aos seus próprios olhos" e, certamente, o resultado disso para a nação era o pior possível. Consideradas as devidas proporções e adaptando a assertiva, podemos dizer que no Brasil "cada um faz o que lhe é conveniente" e, portanto, o resultado é, praticamente, o mesmo: uma nação esfacelada em função da alienação de seu povo e da defesa única do próprio umbigo.
Não há união, a não ser de certos grupos com interesses comuns, não há patriotismo, nem tampouco lideranças que sejam modelos a serem admirados - até as que eram ou deveriam ser, com o tempo acabaram perdidas e/ou distorcidas nas mentes das novas gerações. Depois de tanto tempo no qual homens e partidos feriram gravemente a pátria, fica muito mais difícil reverter o quadro, sobretudo, considerando que a sociedade como um todo, não se apercebeu do que estava havendo.
Normalmente, as pessoas, já convencidas pelo discurso imperante, engolidas pelo sistema estabelecido, simplesmente, mantêm-se numa "zona de conforto" e não se dispõem a questionar ou a investigar por que chegamos a este ponto. Ultimamente, tem circulado pela Internet um texto do cientista político norte-americano Steven J. Brams, o qual destaco um trecho para nossa reflexão e análise quanto à veracidade: "... No Brasil, o sistema beneficia o Estado e não a sociedade, beneficia a corrupção e a impunidade. As leis são ineficazes e protegem o sistema e os corruptos. É um sistema controlador, manipulador, quase tirano. No Brasil, o povo brasileiro perdeu muito sua honra e seu patriotismo, talvez pelas políticas que foram adotadas com o intuito de corromper a sociedade."
Bem, para quem ficou acostumado por muito tempo a ouvir outras coisas sobre o Brasil, talvez este seja um alerta ou até um diagnóstico: quem lê, interprete e entenda!