A situação em que se encontra a Segurança Pública no Rio de Janeiro já era um estado de calamidade pública anunciado. Não era nem um pouco difícil imaginar que poderia chegar onde chegou. Com 91 policiais assassinados somente neste ano, a presença de 10 mil agentes de forças de segurança federais atuando nas ruas parece ter sido algo tardio.
A intervenção mais acintosa nessa questão era uma demanda de muito tempo atrás. Parece que soluções encontradas para a manutenção da ordem pública durante os Jogos Olímpicos eram o que bastavam. Não pensaram a longo prazo e de maneira duradoura. A situação de penúria do governo do Estado fluminense que veio à tona logo na sequência do fim da Olimpíada mostrou que o buraco era muito mais embaixo. Basta ver o sucateamento do serviço público no Rio e os estragos causados a milhares de servidores após anos de pilhagem e corrupção.
Com o anúncio do reforço de 10 mil agentes patrulhando nas ruas parece que tudo vai ficar bem. Será mesmo? De imediato, ver tantas forças de segurança acaba sendo um alento diante do clima de barbárie em que todos estamos inseridos. Aliás, o que ocorre no Rio é apenas uma amostra do que se verifica em qualquer lugar do País.
Hoje se anda na rua com medo de tudo e sem ter a certeza de que não vai acontecer nada consigo e com os seus. Não se tem tranquilidade de ir e vir a pé, de carro, de bicicleta, no transporte público. Desconfia-se de tudo e de todos.
Ainda que as realidades sejam distantes, o que se vê no Rio também se verifica aqui no Alto Tietê: tráfico de drogas enraizado, que parece se fortalecer a cada dia; roubos e furtos sem fim, quando não se tornam latrocínios; homicídios que se somam como se nada fossem. 
No mesmo dia em que o presidente Michel Temer desembarcou no Rio para oficializar o auxílio federal por lá - com vistas a angariar apoio político de parlamentares daquele Estado na votação amanhã da denúncia na Câmara dos Deputados, que poderá resultar no seu afastamento -, morria o pequeno Arthur Cosme de Melo, bebê que foi atingido por uma bala perdida no útero da mãe no final do mês passado. Lutou pela vida antes de nascer e depois do parto forçado. Só teve tempo de conhecer a violência e a morte em sua breve passagem. Aos seus pais e a sua família só restaram a irreparável  dor da perda e a indignação com o fato de que nunca terão uma resposta ou a certeza de que a Justiça será feita algum dia. O que mais vai precisar acontecer?