Em tempos difíceis, atitudes drásticas precisam ser tomadas. "Para cada escolha, uma renúncia", como é contado nas frases de impacto. Durante a crise, praticamente todo cidadão brasileiro que não nasceu em berço de ouro se viu nesta situação. Continuar almoçando no restaurante ou começar a fazer uma marmita? Pagar as contas de água e luz ou manter a TV por assinatura? Comprar um carro caro ou trocar por um modelo popular e que consome pouco combustível? Não há desespero nisso. Essa história já aconteceu inúmeras vezes nas últimas décadas. No entanto, a escolha errada pode só piorar a situação.
As Prefeituras, que utilizam o dinheiro pago por nós, contribuintes, em impostos e taxas, precisam fazer escolhas parecidas com as nossas diante de uma crise. Em Ferraz de Vasconcelos, o prefeito José Carlos Fernandes Chacon (PRB), o Zé Biruta, disse no início deste ano que a administração municipal não tem dinheiro para investimentos e que falta verba para os itens básicos. Desde então, a situação do município não melhorou. Para se ter ideia, até mesmo os bombeiros chegaram a deixar o posto que existe na cidade, pois lá o almoço estava em falta, assim como viaturas para prestar socorro.
Em Poá estamos vendo o mesmo. O prefeito Gian Lopes (PR) não confirma, mas todos sabem que ele estuda cortes na Saúde e na Educação. É bastante questionável que a escolha seja logo em relação a duas áreas tão importantes para a sociedade. Poá tem sido elogiada nos últimos anos por contar com escolas de primeira e um ensino de alto nível. Cortar esses serviços agora é jogar fora todo um trabalho árduo feito por administrações anteriores e, pior, cancelar um processo de aprendizado de crianças e jovens que se acostumaram com essa qualidade.
Uma das opções mais justas para momentos de crise é se juntar com as pessoas para encontrar uma saída. Seria como o pai juntasse a família na mesa e tentasse ouvir as prioridades e necessidades da esposa e dos filhos, para depois iniciar os cortes. Primeiro fazer eles entenderem a situação e depois agir em comum acordo. Os vereadores estão lá para isso, para fazer esse contato entre a população e a Prefeitura.
Infelizmente, não vemos ainda uma reunião entre políticos e sociedade para discutir e debater sobre a crise. Com isso, sempre fica a desconfiança de que estão passando a perna no cidadão, deixando a conta mais cara para ele pagar. Mesmo que isso não ocorra, fica no ar essa possibilidade, já que as ações são decididas sem a participação de quem realmente paga os impostos e mantém a "máquina" funcionando.