A um ano das próximas eleições, começam novamente os debates sobre a reforma política no Brasil. É fato que se anseia há muito tempo por mudanças que venham a transformar de verdade o sistema eleitoral. Depois de tantas denúncias, condenações, cassações e prisões envolvendo autoridades de todos os níveis de poder, não é de se espantar que o brasileiro está cansado da situação em que o País está imerso. Mais do que punições para quem praticou ilicitudes, a população quer um novo tempo. Já passou da hora de a classe política ter outro tipo de atuação e de característica. O jeito de se fazer leis e de governar precisa mudar. Assim como também precisa mudar a maneira de se escolher os candidatos.
Há a promessa de a reforma política entrar mais uma vez na pauta de discussões do Congresso Nacional. A dúvida é saber se vai resultar em algo ou se vai continuar da forma como está. A mesma receita baseada no clientelismo, na compra de voto e de apoio para administrar e de se associar com alguém ou um grupo por algo em troca e não por afinidade ideológica. Aliás, ideologia é o que pouco se vê, infelizmente. Por isso mesmo não faz nenhum sentido o País ter tantos partidos políticos como tem hoje: 35 ao todo. Difícil encontrar ideologia verdadeira em meio a tanta sigla, das quais grande parte surge apenas como forma de obter vantagens políticas e econômicas, principalmente em conseguir um quinhão do Fundo Partidário.
Será necessário ter tanta legenda assim? E mais do que isso: é justo que o brasileiro continue pagando para sustentar esses partidos e suas campanhas caríssimas e ainda ter que ver a continuidade de caixa 2, caixa 3 etc? Qual o argumento para uma disputa eleitoral ser tão dispendiosa? O melhor não seria conquistar o eleitor pelo conteúdo e não pela casca marqueteira?
Tudo isso pode soar inocente ou mesmo improvável de acontecer, mas há que se pensar no assunto. É preciso saber o que eleitor quer, inclusive o tipo de processo eleitoral que acha mais correto. Voto distrital, lista fechada, fim de coligações em eleições proporcionais e até mesmo fim da obrigatoriedade de filiação à agremiação política para se candidatar. Tudo isso tem que nortear um debate franco e aberto.
Já acabou a era de se empurrar goela abaixo. O povo é soberano e o poder que emana dele também. Está mais do que na hora de essas transformações acontecerem. Não vai se aceitar menos do que o justo e o coerente. Seria mera ilusão acreditar que tudo isso um dia irá ocorrer?