Etimologicamente, as palavras do título vêm do latim, de potere, termo que remete à posse, e de auctoritas, cuja origem está ligada à autoria. Podemos entender que poder é dado ou obtido e tirado ou perdido e que autoridade é algo intrínseco da pessoa. Se um está ligado à força e/ou à posição, o outro está muito mais atrelado ao caráter. O poder força e a autoridade move, a partir da espontaneidade. Neste sentido, o que está acontecendo com as nossas crianças, adolescentes e jovens?
Partindo da premissa que têm seus primeiros passos conduzidos pelos pais, seria natural esperar que reconhecessem neles autoridade, para assim, vindo discernimento maior, com o tempo, escolher submeter-se a essa até ao fim. É claro que há pais que não possuem lastro ou postura para exercer qualquer tipo de autoridade, mas, em regra, sim. Por outro lado, é preciso analisar se o exercício da autoridade paterna interessa para os que dominam o sistema. Aí está o ponto: não, não interessa! Mas qual é o interesse desses dominantes, afinal? Através do poder, incutir a ideia de que liberdade é se rebelar contra os pais e, portanto, não se submeter à sua autoridade. Daí a grande disseminação desse conceito, através da escola, da mídia e até da igreja.
Convencidos, crianças, adolescentes, jovens e adultos, rebelam-se contra os pais, em busca da suposta liberdade, sem se dar conta de que, na verdade, passam a estar subordinados à vontade de outros, os quais ditam as regras e novos valores, conforme lhes convém, desde o alimento a consumir, as roupas a vestir, passando pelo culto e marcas no corpo, adereços, bens de consumo, pela escolha do que ler, ouvir e apreciar, até chegar à completa dominação do desejo das mentes e corações. Pergunto: é melhor submeter-se à autoridade naturalmente investida e que é exercida por quem ama ou ao poder obtido por quem anseia apenas por domínio e dinheiro? Afinal, onde está a pretensa liberdade? Pobres escravos que sequer enxergam os déspotas aos quais se submetem!