Quem vive à sombra dos outros, mesmo na luz, nunca verá nada seu projetado fora de si. Essa conhecida frase se encaixa ao momento que vive o atacante brasileiro Neymar que, mesmo tendo afirmado que não deixou um dos maiores e mais tradicionais clubes do mundo, o Barcelona, da Espanha, para atuar no menos badalado Paris Saint-Germain, da França, por se achar uma sombra de Lionel Messi, tudo indica que a escolha do jogador tem a ver com sua vontade de se tornar protagonista. O argentino é praticamente "dono" do Barça, basta lembrar que ele chegou até a indicar o ex-técnico argentino Tata Martino para que comandasse a equipe catalã, em 2013.
Neymar, quando questionado sobre sua saída, afirmou que não decidiu pela troca do time por questão financeira, nem porque estava infeliz e tampouco porque queria assumir protagonismo, mas, sim, porque queria encarar um novo desafio. Mas que desafio é esse? Fica subentendido que algo incomodava o jogador, e isso, certamente, tem a ver com protagonismo.
O Barcelona tem um esquema de jogo tão bem montado que Neymar não consegue desenvolver todas as suas habilidades. Ele cumpria funções táticas de recomposição de marcação que não precisará fazer no PSG. Ou seja, ele será o dono do time, como Messi é no Barcelona. Também passará a ser o cobrador de faltas e pênaltis, ou seja, o time francês jogará para ele.
Quem acompanha o futebol mundial deve ter percebido que depois de uma das mais gloriosas viradas já vistas na Liga dos Campeões da Europa, quando o Barcelona reverteu um placar improvável no Camp Nou contra o PSG, por 6 a 1, na última edição do torneio, Neymar se mostrou insatisfeito. Afinal, foi ele o protagonista daquela tarde, com dois gols e assistência decisiva para a classificação do time catalão. Mesmo assim, a maior parte da glória ficou para Messi. Talvez, naquele momento, Neymar tenha percebido que por mais que ele faça, sempre estará à sombra do argentino.
O atacante brasileiro nasceu para ser protagonista e merece ser o dono de um time também. O problema é que carreira de jogador é curta e um dar passo errado pode prejudicar as pretensões profissionais do atleta. Mas ele aposta em "dar um passo para trás para dar dois para frente". Nosso melhor jogador já conseguiu realizar o sonho de atuar no time onde viu seus maiores ídolos atuarem - Romário, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno, isso só falando dos brasileiros. Agora, ele vai em busca de um novo sonho: ser protagonista na Europa e no mundo. Messi que se cuide.