"Que ilusão a minha, achar que quem detém o poder vai reformá-lo!". Esse foi o desabafo de Giordano Bruno (1548 -1600), filósofo, frade dominicano e cientista, pouco antes de ser levado à fogueira pela nada Santa Inquisição.
Confesso que essa ilusão me atinge, volta e meia. Acreditei que o tsunami político que a Lava Jato e outras investigações em curso provocaram, ao revelar o conluio corrupto de muitos partidos e empresas, produziria profunda ânsia de mudança até no Congresso Nacional.
Enfim a chamada "mãe de todas as reformas", a Política, vai acontecer, afirmou-se. Ledo engano. O que está acontecendo é um debate pontual - de costas para a sociedade, como de costume. O que está em votação é, sobretudo, modo e meio de perpetuar as oligarquias de sempre no poder.
Chama a atenção o distritão, que ajuda na reeleição dos parlamentares conhecidos e de celebridades da TV, do esporte e dos bancados por igrejas neopentecostais ou mesmo tráfico e milícias. Acaba com a ideia de partido, de coletividade política.
Escandaliza em especial o tal Fundo de Financiamento da Democracia, com um montante de R$ 3,6 bilhões para as campanhas. Isso além do Fundo Partidário, que este ano atingirá cerca de R$ 800 milhões. Só PSOL, PHS e Rede se insurgiram contra esses valores escandalosos.
Em 2015, o Supremo Tribunal Federal acabou, corretamente, com o financiamento empresarial das campanhas. Como comprovado, era fonte de corrupção, propinas e favorecimentos. Pois agora Suas Excelências querem que os mesmos valores, altíssimos, sejam despendidos nas campanhas. Só que bancados pelo Estado. É quase inacreditável: os que hegemonizam a política brasileira não conseguem pensar numa campanha austera, pé no chão, fundada em propagação de ideias e causas.
Eles não acreditam no financiamento cidadão nem consideram que os recursos públicos do Fundo Partidário são suficientes. Querem continuar comprando mandatos, só que agora exclusivamente com as altas somas de 0,5% da receita líquida da União. Não aprenderam nada.