Embora os indisfarçáveis indícios de culpa que cercam as ações pelas quais é acusado, o presidente sem votos recebeu apoio da Câmara Federal, com deputados sufragando a impossibilidade dele se submeter a processo.
Investidos de inegável espírito de corpo; demonstrando publicamente que abominam que os seus, detentores do poder estatal, sejam investigados; os políticos esqueceram-se da representação que lhes foi conferida, e viraram as costas à esmagadora maioria da população brasileira. Ladinos, como de praxe, e partindo do princípio que o povo tudo aceita, valeram-se de frases de efeito, tentando, outra vez, esconder a verdade dos fatos, e isentarem-se da culpa que já começa a incomodar.
E o pior, à falta de argumentos que sustentassem suas pífias razões, usaram de bordões quase que uniformes: "o país merece estabilidade"; "optei por mal menor".
Em outras palavras, confessaram que "absolveram" aquele sobre o qual paira indicações máximas de corrupção, mas, justificadamente!
Desta feita, o "rouba mas faz", frase tão comum num passado, que se queria folclórico, mas tenebroso como agora, foi oficializado. Com as considerações em plenário, repetidas na infeliz cantilena, os parlamentares criaram precedente que constará dos anais da Casa de Leis!
Sob suas óticas, as normas, forjadas por eles mesmos, aplicam-se apenas à patuléia, aos não ungidos ao circulo do poder.
Para estes, heresia se pensar em punir ações nefastas!
Resta saber como se comportará a sociedade: como cordeiro, aceitará as desculpas esfarrapadas, seguindo em frente como se nada tivesse acontecido, ou dará, nos pleitos a se seguirem, exemplar resposta nas urnas? Chega de memória curta!