Assim estão os brasileiros. Cansados de bater panela, assistem o inacreditável desmonte de direitos sociais com a reforma trabalhista, a reforma da Previdência que se avizinha e o aumento de impostos.
A rejeição da autorização para investigar Temer por corrupção deixou a população em estado de choque. Deputados federais, depois do injustificável, vieram à imprensa justificar porque barraram o pedido de investigação do procurador-geral da República, com mala de dinheiro e tudo.
É evidente que essa posição terá um custo político altíssimo em 2018, principalmente junto aos eleitores mais esclarecidos. Diante de uma acusação tão grave e de evidências tão contundentes, é no mínimo incoerente negar a autorização para investigar Temer. Dilma, por uma pedalada fiscal foi expulsa do cargo, Temer, com seu intermediário preso com a mala de meio milhão de reais, sequer será investigado, ao menos por ora. E quando for, convenhamos, o que muda para o Brasil?
O fato é que, só temos duas boas notícias, o controle da inflação e a queda tímida e lenta dos juros. O desemprego continua altíssimo, a atividade econômica não dá sinais de recuperação e o atual estado político da nação é deplorável. Assistimos tudo de forma pacífica, mas não passiva. Já que, aparentemente, ninguém quer rupturas políticas e administrativas, o jeito é esperar até 2019, quando então teremos um novo governo, se Temer não for reeleito.
A apatia da população revela o cansaço com a ausência de boas novas, a repetição das más notícias sobre corrupção e a ausência de melhora no quadro econômico. Estamos estagnados no fundo do poço. As supostas melhoras não aparecem, o que revela a necessidade de ruptura do atual sistema, que não funciona.
Enquanto lutamos para sobreviver precisamos reforçar que não aceitamos mais o que nos foi imposto pelos deputados federais, a tolerância à corrupção e à ingerência na condução governamental. A honestidade é o fundamento de uma nação justa e próspera. Quem votou contra ela negou esse fundamento.