A semana foi conturbada na política nacional. A começar pela aprovação que faltava no Senado da reforma trabalhista. Bastante combatida pela oposição e por entidades sindicais, a polêmica proposta do governo conseguiu passar e foi sancionada ontem para começar a valer em novembro. As mudanças são várias, algumas a somar, outras a substituir, entre benéficas e duvidosas. Se vierem a favorecer a classe trabalhadora, a despeito de todas as previsões pessimistas acerca de sua aplicação e de suas implicações, será um ganho para a população e não apenas aos empresários, como querem resumir os contrários à reforma.
Em seguida foi a expressiva, porém não surpreendente, condenação em primeira instância sofrida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em sentença proferida pelo juiz federal no âmbito da Operação Lava Jato, Sérgio Moro, no processo envolvendo o triplex no Guarujá, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro: nove anos e seis meses de prisão em regime fechado, multa de R$ 669,7 mil e proibição de ocupar cargos públicos por 19 anos. O petista é acusado de ter ganho o apartamento como propina por causa de três contratos firmados entre a empreiteira OAS e a Petrobras, entre 2006 e 2012.
Não foi pouca, ainda que possa recorrer em liberdade. Aliás, Sérgio Moro só não expediu mandado de prisão cautelar porque os outros dois condenados no processo - Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS , e Agenor Franklin Magalhães Medeiros, ex-executivo da empreiteira - estão presos e porque o juiz federal entendeu que deveria haver prudência para "evitar certos traumas" e para aguardar julgamento da corte de apelação. A situação pode ficar ainda pior, já que o petista responde a outras quatro ações.
Para fechar a semana, o presidente Michel Temer (PMDB) conseguiu uma vitória e tanto na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. Não só viu ser rejeitado o relatório que era a favor de autorizar o Supremo Tribunal Federal (STF) a julgá-lo pela acusação de crime comum, corrupção passiva, como também testemunhou a aprovação de um novo relatório que pede o arquivamento da denúncia da Procuradoria-Geral da República. A votação no plenário da Casa ocorrerá em 2 de agosto.
Por enquanto Temer tem um cenário a seu favor, após duas conquistas de seu governo e uma derrota do PT, que já vê a candidatura de Lula em 2018 indo por água abaixo. Por incrível que pareça, a economia segue o fluxo e parece não ter sido atingida. É esperar para ver o que mais vai acontecer.