O Brasil é um país de muitas surpresas, mas também onde determinados roteiros se repetem. Muitas vezes convivemos com fatos novos que reproduzem fatos velhos.
Ao final do processo eleitoral de 2014, quando a chapa Dilma/Temer saiu vitoriosa com margem não muito grande, os brasileiros passaram a acompanhar uma série de ações que tinham por objetivo questionar a legitimidade do pleito e, em decorrência disso, a legitimidade da própria presidente.
Em 07/12/2015, o vice-presidente Michel Temer enviou uma carta à presidente na qual indicou episódios que demonstrariam a "desconfiança" que o governo tinha em relação a ele e ao PMDB. Estranhamente Dilma declarou que não recebeu tal carta, mas a mesma teve seu conteúdo divulgado pela grande Imprensa. Seria esse um ato de traição do sucessor imediato em relação ao governante de plantão?
Pois bem. Estamos em julho de 2017 e muita coisa aconteceu desde dezembro de 2015. Dilma sofreu o processo de impeachment e Temer assumiu. Temer teve seu nome envolvido em várias delações e foi gravado por Joesley Batista.
Mesmo contando com uma base aliada gigantesca na Câmara e no Senado, Temer passou a enfrentar sérias dificuldades para aprovação de reformas que, na verdade, foram encomendadas pelo mercado como principal missão do vice que virou presidente.
Rodrigo Maia, até então seu fiel aliado (isso foi enfatizado pelos dois na última sexta-feira), também se move para assumir seu lugar. Foi notícia ontem que o deputado federal manifestou seu descontentamento com cobranças feitas pelo Planalto e que se sente injustiçado, pois há questionamento. Mesmo não mencionando diretamente o presidente Temer, ele sinaliza que está muito atuante dentro desse processo de fragilização de um governo cambaleante.
Rodrigo Maia tem planos para 2018. Mas para seu plano vingar e ele se viabilizar como candidato ao Planalto precisa assumir no lugar de Temer e tentar fazer o que Temer não se mostra mais capaz de fazer.