Que a Operação Lava Jato, que vem sendo responsável por desvendar diversos esquemas de corrupção dentro da política nacional, não vai durar para sempre, já sabemos. O que não imaginávamos é que ela seria enfraquecida tão rapidamente pelo presidente Michel Temer (PMDB), principalmente neste tenso momento no País, quando muitos documentos que servirão como provas contra políticos suspeitos ainda serão analisados.
Com a operação a pleno vapor, Temer alegou na quinta-feira passada falta de verba para manter delegados voltados apenas à Lava Jato. Com o núcleo de centralização das investigações desfeito, os investigadores ficarão também envolvidos em outros casos, o que certamente retardará o serviço que vinha sendo realizado. O grupo de trabalho da Polícia Federal, até então dedicados à operação, passa a integrar a delegacia de combate à corrupção, que envolve outros casos da mesma natureza.
O procurador Carlos Fernando Lima lamentou e criticou a decisão por meio das redes sociais. Ele alegou que ainda há muito trabalho a ser feito e questionou a motivação que levou ao fim do núcleo, já que há dinheiro para liberação de emendas parlamentares, mas não há dinheiro para a Polícia Federal. "Mas para salvar o seu mandato, Temer libera verbas à vontade", escreveu Lima em um trecho, ao compartilhar a publicação de uma notícia sobre a liberação de verbas em meio à crise política.
Por mais que o discurso de que "a Lava Jato não vai parar", "vamos continuar as investigações até o fim", a tendência é que com essa decisão oficial a intensidade dos trabalhos diminua. Estranho é a alegação de falta de verba, em um período em que o que mais se vê são malas e mais malas de dinheiro ilícito sendo descobertas nas mãos de políticos.
Esta foi mais uma operação suja do atual presidente do Brasil, que também na quinta-feira cortou o núcleo de investigação que cuidava da Operação Carne Fraca, responsável por apontar as maiores empresas do ramo frigorífico, como JBS, do empresário Joesley Batista, dono das marcas Seara, Swift, Friboi e Vigor, e a BRF, dona da Sadia e Perdigão, envolvidas em adulteração de carne que vendiam nos mercados interno e externo.
Michel Temer foi muito pressionado a deixar o cargo quando foi acusado de aplicar um "cala boca" em Eduardo Cunha, e mesmo assim, afirmou: "Não renunciarei". Acho que o povo brasileiro nunca torceu tanto para o tempo passar como faz agora. Já estamos à espera do futuro há quase quatro anos...