Gosto muito das expressões usadas cotidianamente e que possuem origem em determinadas lendas e mitos. Por exemplo: quando fazemos referência ao ponto fraco de alguém falamos que aquele ponto é o "calcanhar de Aquiles" da pessoa. Segundo a mitologia grega, quando Aquiles nasceu, foi untado com ambrósia e mergulhado no rio Estige, cujas águas deveriam torná-lo invulnerável. Ao fazer isso, sua mãe, Tétis, tinha o desejo de lhe dar a imortalidade. Como ela, segurou Aquiles por um calcanhar, tal parte de seu corpo não recebeu o banho mágico. Eis a ruína de Aquiles. Guerreiro vigoroso e invencível, Aquiles acabou sendo morto durante a Guerra de Tróia. Uma flecha envenenada desferida por Páris atingiu seu calcanhar desprotegido.
Outra expressão curiosa é "fazer nas coxas". Usada quando algo não é bem feito, ela teve origem na época dos escravos, que usavam as próprias coxas para moldar o barro usado na fabricação das telhas. Como a dimensão das pernas varia de pessoa para pessoas, as telhas saíam também em formatos desiguais. E o telhado, "feito nas coxas", acabava torto.
Mas, existe uma que gosto de forma muito particular pelo seu aspecto sarcástico e bem humorado. Envolve a figura do Zorro, um personagem de gibi. Não é o Zorro das aventuras de capa e espada que o Don Diego de Lãs Vegas dá vida. Este é do velho Oeste e usava arma de fogo. Era chamado de cavaleiro solitário e lutava contra os inescrupulosos rancheiros que incentivavam a guerra contra os índios para se apoderarem de suas terras. Cavalgava pelo oeste americano sempre ladeado pelo seu inseparável amigo índio chamado Tonto.
Certo dia, eles cavalgavam por um território indígena sem saber que o mesmo estava em pé de guerra com os homens brancos. Zorro logo percebeu a movimentação de centenas de índios, todos com pintura de guerra e postura muito hostil. Então, ele olhou na direção de seu parceiro e disse:
- Amigo Tonto, estamos perdidos.
Muito rapidamente Tonto, que era índio, retrucou.
- Nós, quem, cara pálida?