Atualmente, temos observado nas mídias informativas, questão intrincada acerca da saúde financeira dos Correios. O cenário negativo da empresa em que o prejuízo acumulado nos últimos dois anos chega a aproximadamente 4 bilhões de reais, somados ao prejuízo de quase 800 milhões de reais no primeiro quadrimestre desse ano, nos leva a fazer uma reflexão sobre se o modelo atual de empresa pública pura seria o ideal.
O fato é que alguma coisa precisa ser feita para que os Correios se mantenham sustentável, pois o atual Governo já se manifestou pela impossibilidade de repasse de recursos pela União, de forma que a empresa precisa resolver seus problemas dentro de sua própria casa.
Nesse viés, talvez o modelo atual já não se adeque à realidade (ou a um futuro próximo), pois o serviço postal clássico está em desuso, em razão do avanço da inclusão digital, posto que a atividade exclusiva de correspondência pode ser encaminhada por outros meios, como, por exemplo, via e-mail, Whatsapp.
Assim, à medida em que o serviço digital se expande por todo o País, os Correios perdem a receita da sua atividade principal. E, nesse prognóstico de perda exponencial da atividade exclusiva, em razão dos avanços tecnológicos e da reação humana a se adaptar rapidamente a esses novos serviços, passariam os Correios a ter como elemento principal de sua sustentabilidade as atividades concorrentes, como encomendas, logística e a operadora de telefonia móvel.
Sob esse novo contexto, talvez, terceirizar serviços, adquirir empresas como controlada ou controladora, abrir capital para o mercado externo, transformando-se em uma sociedade de economia mista, ou, até mesmo, privatizar (caso os outros mecanismos não sejam suficientes), seja uma maneira de viabilizá-la de forma sustentável.
Se as empresas da iniciativa privada, no sentido estrito da terminologia, terceirizam serviços, fazem fusões, cisões, para sobreviverem, porque não as empresas públicas? Será que aquelas estariam dilapidando seu patrimônio ao agirem dessa maneira? Não seria razoável buscar ajuda externa para se manter sustentável?
O que seria mais prudente? Respirar oxigênio dentro de uma redoma de vidro blindada pela exclusividade do serviço postal, que pode acabar a qualquer momento, ou abrir essa redoma e verificar se existe ar para respirar do lado de fora?