O psicanalista Roland Chemama escreveu: "Depressão, a grande neurose contemporânea"; para ele o sujeito deprimido está tomado em uma história que não é verdadeiramente a sua, não quer dar ao passado um novo sentido em função de um futuro; o futuro ele recusa a imaginá-lo. Como disse o poeta: o hoje é apenas um furo no futuro, por onde o passado começa a jorrar. Então, repete sempre o mesmo, porque se surgir algo novo e favorável em sua vida, de maneira geralmente inesperada, pode cair no maior desespero.
Portanto, impossibilitado de criar qualquer futuro, repete algo já criado na fantasia. E se essa fantasia for descrita por outro a exemplo de um escritor, diretor de novela, ou mesmo um mundo virtual como facebook, tanto melhor, assim o envolvimento real é zero, o prazer fica só na fantasia. Mesmo sabendo que essa é a maior traição que se pode fazer consigo mesmo! Porém, o medo da dor, da vida, do novo, o transforma em um morto vivo. Não é de se estranhar tanta literatura e filmes retratando os zumbis, lobisomens e vampiros. Todos mortos vivos!
Chegamos a um momento que a história virtual vivida por personagens encantam muito mais que a vida. Pois através deles o sentimento de impotência diminui e o desejo é projetado nos personagens, assim, sem correr o risco de ter que viverem elas mesmas sua própria vida, esses sujeitos vivem imaginariamente e assim sentem-se potentes e completas. Mantendo a ilusão de que é através da potência e da completude que chegaremos a tão almejada felicidade. Vivemos no mundo da economia globalizada, temos pressa, se faz necessário e urgente, consumir, viajar e acumular. Há um mito social que deixa crer que qualquer ambição é possível, mesmo as mais loucas e desmedidas, assim como é infinita a ideia de que almejamos e podemos alcançar tudo.
Não tenho tempo! Se queixa uma analisada, parece que não há mais tempo nem espaço para que o nosso mal-estar seja refletido e para a pergunta "eu quero o que eu desejo?".