O presidente da República, denunciado em pleno exercício do mandato por corrupção, agora depende de autorização do Congresso Nacional para ser processado no Supremo Tribunal Federal (STF). Está nas mãos do parlamento avalizar a conduta de Michel Temer ou reprová-la, autorizando que o mesmo seja processado e possa se defender, afastado do cargo.
Por muito menos Dilma Rousseff perdeu seu mandato. O Congresso é o mesmo, não mudou, com exceção de Eduardo Cunha, que está preso. Toda semana alguém do círculo íntimo do atual presidente é preso, investigado ou denunciado. A instabilidade política volta a contaminar a economia, que esboçou uma ligeira recuperação e agora parece estar em compasso de espera. Incerteza é o que domina o cenário nacional.
A Procuradoria-Geral da República já declarou abertamente que enquanto houver ilícitos não deixará de denunciar à Justiça e nem poderia ser diferente, já que é dever do Ministério Público. O fato é que, agora, compete aos parlamentares o desgaste de impedir a investigação contra o presidente. Se no processo de impeachment eles, orgulhosos, fizeram cena e discurso com bandeira para cassar o mandato de Dilma pelas pedaladas fiscais, agora terão a mesma oportunidade por acusação de corrupção.
Qual será o preço político cobrado pelo posicionamento de cada um é o que eles mais gostariam de saber e tentam calcular. Vale apoiar e sustentar um governo tampão bombardeado por denúncias de corrupção? Qual será o discurso na campanha de reeleição dos parlamentares em 2018? A moral, a ética e a honestidade? Fica difícil sustentar a imagem que os parlamentares gostam de exibir em sua propaganda eleitoral, apoiando um governo desmoralizado. Chegou a hora de desembarcar ou de abraçar e afundar junto. Quem tem pretensão eleitoral em 2018 deve pensar bem.
A Imprensa marca de perto cada movimento e os parlamentares já amargam o desgaste das reformas previdenciária e trabalhista. Está na hora de escolher a imagem de 2018, sair ou ficar no covil.