Depois da condenação, é natural que o condenado esbraveje, como tem feito, especialmente, considerando sua personalidade. Paralelamente, pelo histórico e sua influência, é também natural que seus correligionários cerrem fileiras com ele, acusando o juiz e o julgamento de temerários, tendenciosos, injustos, desequilibrados etc. e promovam manifestações que corroborem isso.
Por tudo o que li e ouvi a respeito, preciso deixar claro que nenhuma tese por mais revestida de complexidade jurídica que seja, convence-me de qualquer falta de consistência na sentença expedida. O fato de, ao final dela, o juiz preferir não decretar a imediata prisão preventiva, não torna a decisão incoerente, pois, como bem esclarecido por colegas juristas, o STF já definiu que a prisão preventiva não deve se dar em seguida à condenação de primeira instância; então, se mandasse prender, logo seria solto. Mas, lendo a longa sentença pude identificar um trabalho exaustivo, meticuloso, lastreado e que apresenta sequência lógica e clara, em linguagem surpreendentemente simples e objetiva, destituída do comum e recorrente "juridiquês", de maneira que me restou a conclusão de que o juiz está certo em sua decisão condenatória, tendo aplicado pena que me parece justa.
É certo que alguns advogados e conhecedores do direito criticaram e criticarão, negativamente, a sentença, assim como outros, a enaltecerão: respeita-se, desde que o fundamento não seja o partidarismo ou coisa correlata. Não sou contra o Lula, não mesmo! Nem contra pessoa alguma, mas contra a atitude nociva, o mal feito, a contravenção e o crime. Esses demandam disciplina e, muitas vezes, punição, como é o caso. Por fim, é certo que ainda temos um longo percurso até chegar ao desfecho efetivo do caso: cabem recursos e é provável que a decisão final será do Supremo.
Assim, espero que os julgadores das instâncias superiores se revistam de profundidade de análise, imparcialidade e coerência e, assim, decidam, efetivamente, o que for justo, para o bem do Brasil!