Em meio a tantas análises e perspectivas pessimistas sobre a economia em todo o País, qualquer notícia que surja no sentido contrário já serve de alento e até mesmo anima a cogitar uma mudança no cenário em breve. As empresas instaladas nas cidades do Alto Tietê vêm apresentando uma certa melhora nos últimos tempos e indicando uma retomada de fôlego para aumentar o volume de contratações e de investimentos. No mês passado, o saldo na geração de empregos foi positivo, com 227 novos postos de trabalho, resultado da diferença entre 8.366 admissões e 8.139 demissões. Situação bem diferente de um ano atrás, quando a região perdeu 348 vagas.
Claro que isso é apenas um indício de algo diferente. Talvez por causa das alterações nas decisões da equipe econômica do governo federal, desde que Michel Temer assumiu a Presidência da República no lugar de Dilma Rousseff, logo após o impeachment. Mas a instabilidade política, sem dúvida, é uma interferência negativa nesse reerguimento da economia brasileira.
Os resultados da força-tarefa da Lava Jato, com desdobramentos em outras operações da Polícia Federal e do Ministério Público, denúncias para todo o lado, prisões de políticos, assessores e aliados, delações de um mega-empresário que mostrou ter ganhado bilhões de reais às custas de dinheiro público e com aval da União, enfim, são tantos impactos quase diários que é difícil imaginar quando tudo isso irá parar e quando a Justiça será feita a quem merecer, se é que será realmente feita da maneira como a população brasileira anseia.
Se na iniciativa privada a situação pode estar caminhando para uma mudança, o mesmo talvez não possa ser verificado no Poder Público. Em regra geral, as prefeituras do Alto Tietê enfrentam dificuldades que não eram difíceis de se prever quando das eleições do ano passado: arrecadação de impostos abaixo do ideal, corte de repasses do governo federal que limitam a capacidade de investimentos e necessidade de contingenciamento de gastos nas mais diversas secretarias. Os prefeitos têm que se desdobrar para conseguirem fazer com que a máquina não pare, embora algumas cidades daqui beiravam esse colapso.
O desafio é conseguir fazer uso do que tem com parcimônia, mas, sobretudo, com eficácia e inteligência. Mais do que bradar aquilo que dificilmente conseguirá realizar, o importante é pôr em prática o que está ao alcance e dentro das possibilidades financeiras. A exemplo das empresas, que estão respirando, as cidades não podem jogar a toalha.