Que a crise obriga prefeitos a tomarem decisões difíceis, porém necessárias, todos sabemos, mas o que deixa a população insatisfeita é não conseguir entender as prioridades de algumas administrações. Deixar ambulâncias quebradas e fechar escolas não parecem, a princípio, as primeiras decisões a serem tomadas diante de uma situação complicada.
No meio de toda a insatisfação encontram-se muitos boatos. Em Poá, a perda da receita do ISS, que representava quase a metade do Orçamento da cidade, causou uma chuva de hipóteses, baseada no medo e no pessimismo. Muita gente acredita que escolas vão fechar e funcionários da Educação ou que trabalham em serviços das unidades perderão o emprego. Até agora nada está confirmado. Mas o fato de a prefeitura ainda não se posicionar sobre o assunto só alimenta os boatos.
De longe, Poá tem sido um dos municípios que melhor tem trabalhado a área da Educação na região do Alto Tietê. Algumas unidades são exemplo e os jovens poaenses contam com ótimas opções de escolas municipais para aprender. Portanto, a lógica seria não mexer com o que está dando certo e o que é tão importante para o futuro da cidade.
Outro setor muito importante para qualquer município é a saúde. Quando foi criado o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), no início dos anos 2000, muitos problemas foram solucionados e este trabalho é, sem dúvida, um dos principais das cidades do Brasil. Mas acreditem ou não, Ferraz de Vasconcelos não consegue verba para fazer a manutenção das ambulâncias e, com isso, pacientes não estariam recebendo o serviço.
Recentemente, o Brasil assistiu a um caso em que uma médica não atendeu um bebê que passava mal. A suposta "má vontade" da servidora teria colaborado com a morte da criança, que não recebeu atendimento de emergência. O caso está sendo investigado. Será que precisará ocorrer uma tragédia parecida em Ferraz para que a prefeitura perceba a importância de manter as viaturas do Samu em perfeito estado? Quanto custa a revisão de um veículo? Até mesmo a população faria uma "vaquinha" para ter as viaturas funcionando, mas isso é dever do governo.
Portanto, que a crise atormenta e exige uma série de ações difíceis não há o que duvidar, mas prioridades devem ser bem selecionadas. As prefeituras ainda pagam muito a funcionários que produzem pouco. Essa prática comum no passado precisa ter fim e a população ser colocada em primeiro lugar.