É com pesar que mais uma vez recebemos a publicação do Atlas da Violência feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado na semana passada. Com dados até 2015, a pesquisa mostrou que o principal alvo de mortes violentas no Brasil ainda são os jovens negros de baixa escolaridade. Durante o ano retrasado foram quase 60 mil homicídios. Esses dados mostram o quão forte são as "questões culturais" enraizadas na sociedade.
A humanidade se moderniza com o tempo, aceita facilmente novidades tecnológicas, mas alguns pontos básicos, como a igualdade de raças, não evoluem. E quem sofre, como sempre, são os nichos sociais menos favorecidos e com histórico cultural manchado pelos maus tratos e escravidão. Muito se fala sobre políticas para erradicar o preconceito e oferecer oportunidades iguais aos brasileiros, como a Lei de Cotas, mas, parece que elas passam longe de encontrar um caminho seguro e definitivo para uma mudança no comportamento social.
Aproveitando o tema violência, relatório divulgado recentemente pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância de São Paulo, mostrou que a cada semana uma vítima procura as autoridades para registrar ocorrências sobre homofobia. Este é outro tema espinhoso para muitos e, em vários casos, a intolerância fala mais alto, o que dificulta o caminho de direito de cada cidadão de encontrar seu espaço na sociedade. Neste caso, a mudança deve começar dentro de casa. Um homossexual precisa do apoio familiar para ter uma base sólida e se sentir seguro perante à sociedade. Ao mesmo tempo, esse público também precisa do apoio e respeito social. É necessário que o tema seja debatido amplamente dentro de todos os lares do País, só assim, a intolerância vai diminuir e, quiçá, será erradicada.
É preciso se colocar no lugar do outro antes de se mostrar intolerante. Todos merecem espaço e respeito, e a mudança depende da sociedade. Mais uma vez, seria fundamental não esperar que os resultados práticos viessem de campanhas de conscientização. Hoje, com a Internet, o mundo todo já entende de forma mais ampla como é difícil, por vezes, ser negro ou homossexual em vários países - e o Brasil, País falsamente moralista -, certamente paira no topo dessa lista.
Por parte das autoridades, é importante focar em soluções e não apenas nas punições. Não importa a pena ao criminoso, as atrocidades e atos de racismo e preconceito perdurarão enquanto a sociedade não amadurecer.