Nunca antes na história do Brasil um presidente da República foi denunciado pelo Ministério Público pela prática de crime comum. Michel Temer entrou definitivamente para história, como o único presidente, até então, denunciado durante o exercício de seu mandato.
Não há hoje nenhuma legitimidade para sustentar o desmonte previdenciário e trabalhista. Reformas de fato são necessárias, mas devem atender o interesse da nação e não de um pequeno e rico grupo empresarial. Uma reforma que prejudica exclusivamente o empregado e segurado da Previdência Social, que é a mesma pessoa, não atende aos interesses do País.
A conduta do presidente desnudada pela gravação lícita de seu delator releva a lógica da administração pública brasileira. O interesse dos corruptores conduzem a política governamental e os governantes em exercício, recebem em troca benesses ilícitas. Isso tem um nome, corrupção. É por esse fato que nosso presidente foi denunciado.
Seu discurso, releva que não há defesa para o que foi registrado em áudio. A gravação realizada pessoalmente por um de seus interlocutores não é prova ilícita, como insiste em afirmar. Ilícita é a interceptação não autorizada da conversa de terceiros. Acusado da prática de crimes resolve insinuar a prática do mesmo crime por quem, pelo dever funcional, o acusa.
Desqualificar as provas, desqualificar o acusador, dizer que tudo é mentira, invenção e perseguição, esse é o discurso de todo acusado. Em qualquer penitenciária do mundo, 99% dos condenados se afirmarão absolutamente inocentes e injustiçados.
Mas o pior de toda essa história que vivemos não é o presidente em si, mas o apoio que ele recebe de seus pares e nossos representantes no Congresso Nacional. É o mesmo que uma mãe, diante da evidência do crime de seu filho, ao invés de repreender sua conduta, no afã de protegê-lo, nega a prática do delito e jura sua inocência.
Todos erram e, invariavelmente, dependem da misericórdia dos próximos. Mas misericórdia não se confunde com apoio e aval na prática de atos ilícitos e, sobretudo, imorais.