O Brasil parece um País que vive fugindo de sua história. De forma parcial ou total estamos, volta e meia, ensaiando uma crise de amnésia e esquecemos ou não queremos saber de muitas verdades. E isso vem de muito longe.
Até bem pouco tempo insistíamos em rememorar o fim da odiosa e vergonhosa escravidão reverenciando uma princesa branca e filha de uma classe que fora promotora e aproveitadora da escravidão de milhões de seres humanos, enquanto ocultávamos no esquecimento o negro Zumbi, símbolo de uma apaixonante e longa resistência de todo um povo que sempre lutou contra tal condição.
Diferente do caminho percorrido por nações vizinhas, como é o caso do Uruguai e Argentina, que estão sempre dispostas a revirarem o passado na busca de uma maior compreensão a respeito das nefastas experiências que custaram o sofrimento e a vida de muitos de seus filhos, no Brasil, para atendermos aos interesses de poucos, insistimos em esconder covardemente o nosso passado de autoritarismo militar e todas as atrocidades cometidas em nome da "pátria" durante as duas décadas de vigência da ditadura militar e de seus governos espúrios.
Não faz muito tempo e, mais uma vez, está concepção tentou impor-se aos fatos. O Senado omitiu o impeachment do ex-presidente e senador Fernando Collor de Mello em galeria sobre a história da Casa. Naquele momento, o presidente do Senado, o ex-senador José Sarney, ansioso pelo esquecimento de alguns fatos de sua biografia, justificou a ausência classificando o impeachment do Collor como um mero acidente.
E o que dizer do teatro de mau gosto exibido em rede nacional proporcionado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na semana passada. Um vexatório 4X3 num julgamento que já se sabia antecipadamente seu resultado. Impressiona muito o silêncio das chamadas pessoas de bem que antes se declaravam inimigas da corrupção. É mesmo lamentável que nosso País continue sendo palco permanente de episódios desse quilate.