Desde a segunda metade do século XX, o mundo convive com teorias que pretendem assumir o critério de verdades absolutas. Como se desejassem ser um "gran finale" para um século permeado por revoluções, grandes guerras e profundas transformações.
Nos anos 50 e depois nos anos 90, alguns dirigiram suas análises políticas a partir da premissa do fim das ideologias. Em 1959 Daniel Bell escreveu um livro intitulado "The end of ideology", analisando o esgotamento das ideologias frente ao sucesso do capitalismo liberal e do indubitável fracasso do comunismo. No entanto as revoluções em países da América e a derrota americana no Vietnã, culminaram com o fortalecimento do modelo soviético e de um mundo bipolar.
Na década de 1990 voltamos a ouvir a mesma expressão. Ela veio como uma visão dominante a partir da queda do muro de Berlim e da desagregação da URSS. Na esteira da queda do muro de Berlim veio a pregação do fim da história. O sociólogo Francis Fukuyama ficou mundialmente famoso ao publicar o livro "O Fim da História e o Último Homem" elegendo o capitalismo e a democracia burguesa como coroamento da história da humanidade.
Meses depois da publicação, as ruas de Los Angeles tornavam-se cenário da explosão de conflitos raciais mostrando ao mundo que a história estava viva, e sempre pronta para mostrar que nosso destino não é via de mão única.
E o melhor exemplo vem da conhecida Península Ibérica. Depois de amargar pesadelos econômicos juntamente com a Grécia, Espanha e Itália como consequência da crise iniciada nos EUA em 2008, Portugal tem sido olhado com certa curiosidade.
Portugal criou a chamada "geringonça" que foi o apelido dado à coligação de esquerda que tem governado o país, indo na contramão das políticas de austeridade impostas a ele pelas instituições multilaterais (FMI, União Europeia e Banco Central Europeu).
Com bom crescimento econômico, baixo desemprego e saldo da dívida pública equilibrado, podem alçar seu ministro das finanças, Mário Centeno, ao posto de chefia do Eurogrupo.