O dono do grupo JBS, Joesley Batista, deixou no fim da tarde de ontem a sede da Polícia Federal em Brasília após um depoimento que durou quase oito horas.
Ele depôs aos delegados da Operação Bullish, que investiga irregularidades em aportes ao grupo concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Investigadores da Operação Greenfiel também participaram do depoimento, caso o empresário comentasse também as fraudes envolvendo fundos de pensão.
O depoimento começou às 9h30 e terminou pouco depois das 17 horas. De acordo com as investigações da Operação Bullish, o BNDES teria favorecido o grupo JBS, que atua no ramo de processamento de proteínas, em um esquema que envolveu - considerando todas as operações realizadas - R$ 8,1 bilhões. Os aportes ocorreram entre 2007 e 2011. Joesley não prestou depoimento quando a operação foi deflagrada, em 12 de maio, porque estava fora do país.
Ontem, a Advocacia-Geral da União (AGU) solicitou ao Tribunal de Contas da União (TCU) o bloqueio imediato dos bens da JBS e de seus responsáveis. Segundo a petição, o objetivo é garantir um possível ressarcimento aos cofres público de práticas ilícitas efetuadas pela empresa da ordem de
R$ 850 milhões.
A razão do pedido foi a manifestação do secretário de Controle Externo do TCU no Estado Rio do Janeiro, Carlos Borges Teixeira, de que há indícios de prejuízo em operações do BNDES com a empresa.
A assessoria de Imprensa da JBS disse que não irá se manifestar sobre o pedido da AGU, mas voltou a defender a delação premiada de Joesley e de outros seis executivos do grupo, cuja validade está sendo discutida pelo Supremo Tribunal Federal (STF).