Muitos acreditam que a Operação Lava Jato está ajudando a acabar com a corrupção no Brasil. Será? Não minimizando o valor deste grande trabalho feito pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, mas a verdadeira valia dessa ação é escancarar mais ainda os problemas do País. Basta notar que mesmo depois do início dos trabalhos da força-tarefa, em 2014, as mesmas práticas de sempre continuam sendo aplicadas por políticos corruptos.
Para corrigir de vez a corrupção é preciso uma profunda reforma política, e nós, infelizmente, ainda não fizemos uma discussão aprofundada de qual seria o melhor caminho para essa mudança.
Ultimamente - para não dizer que sempre foi assim -, nosso sistema funciona como uma cadeia alimentar, com parasitas e hospedeiros: enquanto os políticos hospedeiros têm força, os parasitas aproveitam calados. Mas, conforme esses poderosos hospedeiros começam a apresentar fraquezas, os parasitas os abandonam e procuram outro lugar para se "alimentar".
Nosso sistema pode também ser comparado ao comportamento de uma matilha. Sempre haverá um líder e seus seguidores. No entanto, se o líder fraquejar, os outros cães se unirão para derrubar aquela liderança. E assim acontece na natureza, de uma forma mais geral. O predador só consegue prevalecer se estiver forte, caso contrário, vira alimento de sua própria presa.
Resumindo, é assim que funciona a nossa política, e se não fizermos uma reforma para ter uma base enxuta de partidos que representem correntes de opiniões relevantes para a sociedade brasileira, será muito difícil escapar desse esquema de presidencialismo.
O sistema político efetivo é composto por dois fatores: qualidade dos representantes e as regras do jogo. É preciso melhorar o processo de seleção desses políticos, mas também as regras do jogo, porque se não mudar, todo esquema de corrupção que está sendo derrubado será armado novamente no futuro, com novas caras. Só assim acabaremos com o "toma lá, dá cá" dos políticos, onde quem acaba sendo mais prejudicada é a população. Isso acontece desde o processo de redemocratização.
Hoje temos 28 partidos representados no Congresso e ao mesmo tempo não temos nenhum. Eles não representam os anseios da sociedade. Os últimos remanescentes eram PSDB e PT, mas ruíram e perderam por completo o poder de representatividade junto à opinião publica.
Para a democracia funcionar no nosso País, precisamos, acima de tudo, de novos representantes e uma ampla alteração nas regras do jogo.