Como a Organização Internacional do Trabalho (OIT) previu em janeiro, a taxa de desemprego aumentou neste ano e hoje o País já conta com 14 milhões de desocupados. Somente os últimos três meses acumularam 1 milhão de novos desempregados. A taxa de desemprego ficou em 13,6% no trimestre encerrado em abril, segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O último ano de um efetivo crescimento econômico foi 2014 e, de lá para cá, queda livre. Já estamos à espera de um milagre, que se chama 2018. Ao que tudo indica, o que ainda resta de 2017 trará mais retrações em várias áreas, o que ocasionará uma economia instável. Somente a retomada do mercado de trabalho oferecerá condições para uma recuperação sólida do Produto Interno Bruto (PIB).
Para isso, será preciso que o próximo presidente - que provavelmente não será Michel Temer (PMDB) - seja responsável e entenda que seu cargo visa beneficiar a população. Outro milagre a se esperar. O que deixa o cenário político ainda mais perigoso é sua semelhança com o de 1989, ano em que Fernando Collor de Mello foi eleito presidente. Tanto agora quanto naquele ano, o País enfrentava uma grave crise econômica. Os eleitores, assim como agora, estavam descrentes com a classe parlamentar. E isso abriu as portas para a vitória de Collor à época e poderá abrir caminho para os novos gestores políticos de hoje. Não que esses mereçam cair em descrédito de antemão, mas, recordando 1989, é sábio não depositar tanta confiança, afinal, alguns deles são novos políticos e ainda não sabemos do que são capazes. O lado positivo disso tudo é que a população está mais esclarecida e calejada do que há 28 anos.
Ainda lembrando de 1989, é possível que alguma personalidade interessada em se candidatar se sobressaia à força de um partido, e caia nas graças do povo. Isso aconteceu naquele ano com o dono do SBT, Silvio Santos, que lançou candidatura 15 dias antes das eleições. Três dias depois, ele aparecia como forte postulante a chegar ao segundo turno, na frente de nomes como Lula e Brizola. Na ocasição, a Justiça Eleitoral, porém, considerou a sigla ilegal, e a candidatura de Sílvio foi impugnada.
Em 2018, também é possível esperar por uma disputa sem favoritos e com o personalismo se sobrepondo aos partidos. Calejados, que façamos a nossa parte nas urnas e esperemos por um milagre da classe política.