Há uma semana, a delação de Joesley Batista implodiu Temer. Ainda em pé, como os escombros de um prédio atingido por uma bomba, a saída de Temer não é uma questão de tempo, mas uma questão política de quem irá substituí-lo.
Ele diz que não sai, que se quiserem que o tirem de lá. Essa foi a senha para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fazer o que tem que ser feito, cassar a chapa Dilma-Temer.
O áudio divulgado pela Imprensa revela que o presidente indicou um deputado federal para tratar dos assuntos de interesse da JBS. Tal fato, por si só, inviabiliza a continuidade do governo. Sem apoio popular e com a perda de apoio parlamentar, sua permanência no cargo tornou-se inviável.
O TSE pode fazer essa retirada de forma limpa e legal. Parece claro que a chapa abusou do poder econômico, fato confirmado pelos delatores marqueteiros e empreiteiros. A eleição foi vencida pelo poderio econômico do caixa dois.
Temer não foi eleito sozinho, pelo contrário, quem foi eleita foi Dilma, ele veio a reboque, logo, os recursos ilícitos destinados à eleição do cargo majoritário contaminam o acessório. A tese de separação do julgamento no TSE de Dilma e Temer até seria sustentável, não fosse a língua forte de Joesley.
A moral administrativa foi vilipendiada por Temer. O presidente se agarra em teses jurídicas, fez questão de ressaltar que a gravação foi clandestina e que foi adulterada. A gravação não é clandestina, ilícita ou ilegal, pois foi feita pelo próprio interlocutor e com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), não houve gravação da conversa de terceiros, era uma conversa, tarde da noite, sem registro oficial, na residência oficial do presidente.
Temer está isolado. As reformas da Previdência e da legislação trabalhista que prejudicam apenas os trabalhadores mais pobres avançam, pois os congressistas que as defendem não o fazem por Temer, mas por si próprios, muitos deles grandes empresários e outros os representando.
Os sinais de recuperação econômica e também de confiança no Brasil, que já eram fracos, agora desapareceram.