A situação de algumas praças nos municípios do Alto Tietê é assunto permanente. A sujeira causada pelos moradores de rua e a sensação de insegurança são, provavelmente, o que mais incomoda. Mais complicada do que o cenário das praças em si, porém, é a situação desses moradores de rua, constantemente discriminados e com pouca atenção recebida.
O difícil é encontrar uma maneira de oferecer mais dignidade a esses necessitados. No mês passado, o Papa Francisco criou a Lavanderia do Papa, em Roma, que disponibiliza máquinas de lavar e ferro de passar roupas para que possam ser utilizados por eles. Essa foi mais uma de tantas ações que a Igreja Católica realiza em prol dos moradores de rua. No entanto, isso não acaba com a raiz do problema.
Já na capital paulista, o prefeito João Doria (PSDB) vem criando algumas ações para preservar a paisagem da capital, que inclui também a retirada dessas cidadãos que vivem à margem da sociedade de algumas praças. Esta é uma questão que não deveria ir ao encontro da Lei Cidade Limpa por exemplo. Não se trata de um serviço de zeladoria, como varrição de ruas e poda de árvores. É um problema social muito sério. O prefeito já retirou, inclusive, moradores de rua da Praça XIV Bis, e os transferiu para o viaduto na avenida Nove de Julho. Transferiu também o problema.
Sempre alguém terá a seguinte opinião: "Tem que tirar essa gente na marra e prender quem estiver usando droga". Afirmações como essas são válidas até certo ponto, mas existem vários motivos para o cidadão se tornar morador de rua e, certamente, muitos deles preferiam estar em uma situação mais cômoda, mas, sequer, têm a quem recorrer.
Muitos são contra essa política higienista, já outros, acham mesmo um absurdo a ocupação de moradores de rua em áreas onde a especulação imobiliária é altíssima. A verdade é que absurdo maior é um caso se arrastar por décadas e não ter solução. Mais indignante ainda é pensar que a nossa inconveniência - em não nos sentirmos seguros para sentar em um banco de praça - é o principal problema, quando o "x" da questão é não encontrarmos uma solução objetiva para a questão.
Existem Organizações Não Governamentais (ONGs) que cuidam dessa questão humana, mas elas não dão conta de ajudar a todos. É preciso uma reflexão maior sobre o caso e criar políticas que ajudem essas pessoas e não que as discriminem. Não se trata exatamente de uma crítica ao Poder Público, e sim de um clamor. É triste, mas, infelizmente, esse texto terá que acabar sem uma alternativa para o problema.