Quando os 78 executivos da Odebrecht fecharam acordo de delação com a Lava Jato, acreditava-se no fim do mundo. Tratava-se do desbaratamento de um sistema organizado e sólido de corrupção em obras públicas que existia há décadas, mas que se vitaminou e ganhou músculos nos governos petistas.
Dois meses depois, o marqueteiro João Santana e sua mulher Mônica Moura revelaram detalhes ainda mais sórdidos de como esse mundo particular se movia, expondo como a dinheirama ilícita teria corrido nas campanhas de Lula e Dilma, com conhecimento e comando deles.
Agora será a vez do ex-ministro Antonio Palocci, e, com ele, a explosão do mundo. Sua provável delação tem potencial para detonar de vez seus ex-chefes, além de gente do mercado financeiro e de empresários que ganharam mundos e fundos nos mandatos petistas.
Palocci é peça-chave de quase todos os que se apresentam aos procuradores da Lava Jato. Ele aparece nos depoimentos como quem cuidava do cumprimento dos acordos paralelos, dos pagamentos clandestinos, das generosidades para empresas amigas, que devolviam os agrados com juros e correção na campanha eleitoral seguinte.
Quisera Lula e o PT que os problemas se resumissem a incongruências sobre o tríplex no Guarujá, primeiro dos cinco processos a que Lula responde, ou até mesmo do sítio em Atibaia. A terra começou mesmo a tremer com a liberação, pelo ministro Edson Fachin, dos depoimentos de Santana e Mônica.
Os prejuízos dos dois a Lula, Dilma e PT ainda não podem ser contabilizados. Mônica aproveitou-se das informações privilegiadas que diz ter recebido de Dilma não para apagar rastros, mas para se documentar e aliviar as penas de seu marido e dela. Apresentou documentação farta, extratos bancários que batem com as delações da Odebrecht, cópia registrada em cartório de mensagem trocada com Dilma em e-mail secreto, notas, nomes e apontamentos de sua agenda. Tem bala na agulha.
Palocci tem mais. A ponto de fazer Lula sonhar em ser apenas o proprietário de um tríplex no Guarujá e de um sítio em Atibaia.