Ontem começaram a ser votados, na Câmara dos Deputados, alguns tópicos do pacote de medidas que pretende reformar a Previdência Social. Vale lembrar que, segundo o presidente da República, Michel Temer (PMDB), tais projetos não valerão para alguns servidores públicos estaduais e municipais. Estes profissionais terão de aguardar medidas criadas em seus respectivos Estados e municípios.
Com essa mudança, Temer tentou ganhar votos de políticos para que aprovem a medida. No entanto, esta simples atitude reduziu para apenas 14% o número de servidores atingidos pela reforma. Um absurdo e uma falta de respeito ao trabalhador comum. O servidor já possui dezenas de benefícios a mais que os empregados da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e ainda estarão excluídos da reforma da Previdência.
Agora resta saber se, no caso de aprovadas totalmente as mudanças na aposentadoria, os municípios e Estados terão coragem de criar medidas parecidas para equiparar os direitos dos profissionais. Imagine a seguinte situação: uma cidade cria um projeto de reforma incluindo os servidores municipais, enquanto o município vizinho não aprova uma medida parecida e fica sem reforma. Olha o tamanho da desigualdade criada.
Antes de tudo, o governo federal deveria respeitar o povo brasileiro ao criar e colocar para votação uma reforma tão importante como esta. A pressa para que seja aprovada mostra um desespero dos nossos líderes políticos, que parecem não encontrar, ou não querem, outra forma para tapar o buraco da Previdência, de onde vazam milhões de reais que vão, inclusive, para a corrupção. Ou ainda a falta de receita, devido à inadimplência de empresários, que não repassam os valores tirados dos salários para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Talvez a pior coisa que está ocorrendo neste momento na política brasileira é a forma com que políticos (deputados e senadores) estão sendo convencidos a votar a favor da reforma da Previdência. É como se não tivessem escolha. Da mesma maneira que ocorre nas cidades aqui do Alto Tietê, quando vem uma ordem de cima para que todos acolham um projeto ou façam vistas grossas para uma investigação, por exemplo, e todos acabam acatando.
Alguns políticos esquecem que seus patrões são os brasileiros e não os políticos mais antigos ou mais poderosos. O medo de ter a vida política interrompida por um ato rasteiro de um político esperto faz com que muitos novos não ajam com sinceridade, honestidade e respeito ao povo, que quem os elegeu.