Não acredito em salvador da pátria, nem tampouco que a forma de Estado, de governo e/ou o sistema de governo, com suas múltiplas manifestações, possam por si só resolver os problemas de uma nação ou produzir resultados semelhantes em países com características diferentes entre si, como dimensão de território, contingente e concentração ou não de habitantes, clima, cultura, etc. Por isso, não é porque o Estado mínimo funcionou e funciona bem em Hong Kong ou porque o capitalismo nórdico dá muito certo para a Noruega que, um ou outro, se aplicado ao Brasil, resolveria.
Considero também que não é exatamente a ideologia pura e nem o encaixe do pensamento num rótulo, em contraposição a outro, ou mesmo uma posição intermediária entre extremos ideológicos que nos tirará deste buraco.
Por outro lado, não tenho dúvida de que a raiz do problema brasileiro está na cultura e no pensamento preponderante do povo dos dias atuais que, muitas vezes, mesmo sem perceber, adere a práticas condenáveis e dissociadas de quaisquer valores fundamentais que considerem o próximo além da própria pessoa.
Atrás disto, vem uma série de inversões e distorções de conceitos, que confunde a mente incauta e a faz aprovar o que é reprovável e, às vezes, até o que é desprezível, a ponto de chegarmos perto do caos. O Brasil está péssimo e, não obstante a necessária dose de otimismo que deve nos mover nestes momentos mórbidos, precisamos ver isso claramente, uma vez que o doente não busca a cura, se primeiro não reconhecer a moléstia.
Neste sentido, eu diria que já passou da hora de aceitar que o modelo operacional brasileiro, incluindo forma e sistema de governo não funciona e, assim, ainda que não tenham a solução completa em si, considerar outras alternativas e suas implicações, pois nos servem de paradigma para o início imediato de uma transformação profunda que nos afaste daquilo que aí está há décadas e que a cada dia se revela mais repulsivo do que poderíamos imaginar!