No final da Idade Média, durante o período da expansão marítimo-comercial, os mercadores que levavam ervas, óleos, temperos, sedas e perfumes do Oriente para o Ocidente conseguiam lucrar muito. No século XV, por exemplo, a Coroa Portuguesa conseguiu alcançar um lucro superior a 6000% com a venda de produtos obtidos na Índia.
Tanto que foi justamente nesse período que a expressão "negócio da China" passou a ser usada com o sentido que conhecemos até hoje. Recorremos a tal expressão para indicar quando alguém obtém algum tipo de acordo bastante vantajoso.
Mas nesse caso estamos falando de uma atividade considerada lícita que é o comércio de mercadorias. Esses mercadores se deslocavam até o oriente, principalmente China e Índia, e voltavam com as especiarias que seriam vendidas no continente europeu.
Já no nosso caso, aquilo que estamos conhecendo como o "negócio do Brasil" é um processo que também propicia imensos lucros, porém as atividades em torno desses "imensos lucros" não são nada lícitas. Estamos conhecendo com certa riqueza de detalhes como algumas grandes fortunas de alguns empresários brasileiros foram constituídas.
É claro que sempre temos que recordar que as condenações não podem anteceder à conclusão dos processos. Mesmo a condenação em primeira instância não é necessariamente definitiva, já existe a possibilidade de recurso em segunda instância e nas instâncias superiores. Mas em algumas situações as evidências são claras, como é o caso envolvendo a delação do dono da JBS. Os conteúdos das conversas entre Joesley e Temer e Joesley e Aécio são estarrecedores.
No entanto, algo que não está presente nas gravações chama muito a atenção. Temos um sistema financeiro com bastante mecanismos de controle. Qualquer cidadão que faz movimentação financeira mais elevada precisa prestar informações quase de imediato. Então, como essa dinheirama toda (estamos falando de centenas de milhares ou milhões de reais) circulava por aí sem que nossos bancos informassem às autoridades competentes? Isso também precisa ser explicado.