Imagine que a pessoa não precisa provar quem é o tempo todo e que todos acreditam na palavra falada e, em instância superior, em simples declarações assinadas, sobre qualquer questão, por mais complexa que seja. Imagine que a palavra vale muito, mas ainda assim, para sacramentá-la, de forma a afastar dúvidas e eventuais más interpretações, temos que escrever e assinar documentos para tudo o que for relevante. Imagine que todos os cidadãos podem se encaixar nesse modelo e que suas manifestações são consideradas, ainda que em determinados casos precisem ser documentadas e assinadas.
Imagine que por levar muito a sério a honra da palavra e também da assinatura, os cidadãos são precavidos e zelosos para assumir compromissos, de modo que, quando o fazem, em regra, são cumpridos, naturalmente. Imagine que um sistema como esse, praticamente, não admite falha de palavra e muito menos de declaração escrita e assinada, sendo que todos os que vivem sob tal modelo aceitam e concordam com seus sucintos e objetivos termos. Imagine também, que por serem tão valorizadas a palavra e a assinatura e por absoluto respeito ao sistema, há poucos desvios de conduta e falhas de compromisso, mas ainda assim, e para manter a ordem, o sistema disciplina os infratores, punindo-os conforme a gravidade de seu erro. Ninguém escapa, simplesmente, ninguém.
Quando alguém falha, paga pelo erro e, normalmente, em vez de se rebelar contra o sistema, sente vergonha e tenta retomar a vida com mais honra. No final das contas, há confiabilidade e segurança na vida. Hoje, vemos o inverso: uma liberdade falaz, pouca responsabilidade e muita impunidade. A liberdade verdadeira descrita nesse imaginário existe, mas nunca dissociada da responsabilidade, e o que vier nesse sentido, devemos apoiar.