Por um longo tempo venho insistindo na seguinte tese: nossa sociedade tem estabelecido uma relação direta e imediata entre corrupção e homens que exercem cargos na esfera política. Esse fato é até certo ponto compreensível, pois não costumamos ter boas notícias envolvendo tal segmento. Não existe intervalo longo entre os escândalos protagonizados por aqueles que escolhemos para nos representar.
No entanto, o universo da política não detém o monopólio das práticas ilícitas, ilegais e imorais. São cada vez mais constantes os casos que envolvem o setor privado, particularmente os grandes grupos. O que temos presenciado é o princípio do "vale tudo" para obtenção de vantagens.
As empreiteiras estão sob foco por conta da Operação Lava Jato. Mas não é apenas esse setor que tem contas a ajustar com a sociedade brasileira. Não faz muito tempo tivemos notícias das ações da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) contra algumas empresas do setor de telefonia que não investem o suficiente para oferecer um serviço de qualidade aos seus clientes. No caso de uma delas, a agência fez uma acusação pública de que a empresa derrubava propositalmente as ligações dos usuários de um plano que cobrava por ligação e não por minuto.
Inúmeras grandes lojas de roupas e assessórios já foram denunciadas e punidas por se beneficiarem de trabalho análogo à condição de escravidão. Elas tentam se isentar de qualquer responsabilidade, mas muito se beneficiam ao comprar produtos a preços muitos baixos de fornecedores que afrontam a legislação trabalhista e submetem seus trabalhadores a situações desumanas.
Temos também o setor financeiro. Os juros praticados pelos bancos que atuam no Brasil são vergonhosos, exorbitantes e injustificáveis. São objetos de reclamação de todos os setores da sociedade brasileira, menos dos banqueiros é claro.
Como podemos ver, nossa preocupação não deve ser apenas com o comportamento de muitos dos nossos políticos. Parte dos nossos empresários e seus digníssimos representantes também merece nossa atenção.