Ao contrário de cidades como Suzano, Ferraz, Poá e Itaquá, que despejam cerca de 20 mil toneladas de lixo por mês no aterro CDR Pedreira, em São Paulo, Mogi das Cruzes levanta mais uma vez essa questão. O município, que descarta os dejetos na cidade de Jambeiro, busca uma solução definitiva para o tema, já que gasta R$ 7 milhões por ano.
Uma das soluções pode ser um projeto que vem sendo retomado pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) em construir uma usina de lixo para atender a Região Metropolitana. A Câmara também está envolvida no tema e na semana passada aprovou a criação de uma Comissão Especial de Vereadores (CEV) para estudar a destinação do lixo. O grupo irá promover estudos por meio de visitas aos municípios que cuidem corretamente do seu lixo (alguns que deverão receber a visita da CEV são Paulínia, Ipatinga e Barueri).
Como a cidade não tem seu próprio aterro sanitário, é preciso verificar o tipo de lixo mais produzido, bem como a maneira de eliminar corretamente seu acúmulo, seja com incineração, reduzindo-o, reutilizando-o ou reciclando-o.
Já a programação do lixo reciclável, distribuído nos Ecopontos instalados em Mogi, vem funcionando bem. O município é responsável pela reciclagem de 600 toneladas de lixo por mês, muito graças ao Programa Recicla Mogi, em atividade desde 2013. Os bons resultados da coleta seletiva são frutos de uma parceria com a cidade japonesa de Toyama, que é referência mundial no assunto. Antes do lançamento do programa Recicla Mogi, técnicos mogianos viajaram para o Japão e conheceram a tecnologia utilizada na área.
Visando melhorar ainda mais a situação, estudantes da escola estadual Adelaide Maria de Barros, no Conjunto Toyama, em Mogi, desenvolveram um aplicativo responsável por gerenciar os resíduos domésticos. Caso a plataforma seja inserida na cidade, será possível identificar os resíduos que podem ser destinados aos dois Ecopontos de Mogi. A ideia é oferecer a plataforma como uma alternativa para colaborar e incentivar a reciclagem no município. O aplicativo será útil para os munícipes e para os próprios Ecopontos, que poderão controlar a quantidade de material recebida. Além disso, gera economia e tem um aspecto positivo em relação ao impacto ambiental.
Por isso, a ideia da CEV da Câmara em visitar municípios que cuidam do seu lixo com sucesso, como citado acima, parece uma ótima alternativa. Pelo menos no caso do lixo reciclável, ter uma cidade como modelo funcionou muito bem.