Apesar das polêmicas envolvendo as propostas de reformas trabalhista e previdenciária do governo federal, o País dava indícios de que estava começando a melhorar, a trilhar um caminho de perspectivas mais otimistas.
A inflação estava baixando, o poder de recuperação das empresas retornava, a geração de emprego voltava a acontecer e a imagem do Brasil lá fora parecia estar melhorando. Era um otimismo que estava aparecendo, mesmo com os desdobramentos da Operação Lava Jato.
Eis que surge uma bomba em Brasília, mais uma. Agora envolvendo o presidente Michel Temer, que foi gravado por Joesley Batista, um dos donos da JBS, holding que controla marcas como Friboi e Seara, durante uma conversa. Nela, o empresário diz que estava pagando uma "mesada" ao ex-deputado federal Eduardo Cunha, preso em Curitiba, para comprar o seu silêncio. Na gravação, Temer teria dado o aval: "Tem que manter isso, viu".
O presidente também teria indicado o deputado federal Rodrigo Loures (PMDB-PR) para resolver uma pendência da JBS com o Cade, órgão de controle da liberdade de concorrência. Dias depois, o parlamentar é filmado em um restaurante recebendo R$ 500 mil em uma mala preta enviada por Joesley Batista.
Também atingiu o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que, por intermédio de sua irmã, Andréa Neves, presa ontem pela Polícia Federal, teria pedido R$ 2 milhões ao empresário para bancar os honorários advocatícios de sua defesa no inquérito na Lava Jato. Houve até um pedido de prisão do tucano do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que foi negado pelo ministro Edson Fachin, sem remeter o caso ao plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Mas ele acabou suspendendo as funções de Aécio Neves como senador.
Para fechar o estrago, a delação de Joesley Batista ainda aponta Guido Mantega, ex-ministro de Lula e Dilma, como seu contato no PT e o responsável pela negociação de propina que era distribuída entre parlamentares da legenda. O empresário também afirmou que era ele que operava os interesses da JBS no BNDES.
Com tudo isso, o dólar disparou, a bolsa de valores caiu e a confiança do mercado externo no Brasil voltou a ficar comprometida. É o prenúncio de retorno a como estava antes. O STF abriu inquérito para investigar o caso. Ontem, Temer avisou que não irá renunciar e cobrou um resultado rápido da apuração. Resta saber como ficará o governo daqui para frente e como o episódio afetará a economia e a vida dos brasileiros. É muita tensão no ar.