Se alguém descobrir, negue até a morte". Essa frase costuma ser dita por muita gente, como forma de confortar pessoas que cometem erros graves ou até crimes. No entanto, onde ficam a vergonha na cara, a honestidade e os valores de quem nega o que faz? Poucos são aqueles que assumem seus atos, que possuem a hombridade de reconhecer o erro e pagar pelo que fez. Até porque, no Brasil, "quem é bom acaba se dando mal" - outra frase muito dita nos quatro cantos do País.
"A vida imita a arte ou a arte imita a vida?" pode ser trocada por "a vida imita a política ou a política imita a vida?". Sim, o que ocorre na Lava Jato, no Mensalão e no Supremo Tribunal Federal (STF) não é diferente do dia a dia do brasileiro. Aquele parente malandro que conhece todo mundo e consegue vários benefícios para a família, como ingressos gratuitos para shows, compra produtos pirateados, faz um puxadinho na residência sem informar a prefeitura, dá calote e some, entre tantos outros atos errados. E essa pessoa assume os erros e paga pelo o que fez? Sabemos que não.
O jeitinho brasileiro existe na rua da sua casa, na sua família e na política. Diante do escândalo que se instalou em Brasília, com denúncias contra o presidente Michel temer, temos de vê-lo, em rede nacional, negando tudo, negando fatos comprovados, filmados, gravados. Esperar que ele fosse renunciar, como fez o ex-presidente dos Estados Unidos Richard Nixon, após o escândalo de Watergate, em 1974, quando descobriram que ele sabia de operações ilegais e teria concordado com os atos, parece mesmo uma ilusão nossa.
Ainda falando dos Estados Unidos, em 1996, o então presidente Bill Clinton foi acusado de ter relação sexual com uma estagiária. O escândalo Mônica Lewinski quase o tirou do poder, tendo até de enfrentar um impeachment. Mesmo assim, Clinton foi à televisão, assumiu o erro e pediu desculpas. Ele poderia negar até a morte, não havia câmeras ou gravações comprovando o ato.
Aqui a coisa é diferente. Lula sempre foi amigo ou quase irmão de José Dirceu, José Genoino e Antônio Palocci. Todos os três foram presos por corrupção, e Lula jura que nunca soube de nenhuma irregularidade cometida por eles. Da mesma forma, Dilma Rousseff nega até hoje que cometeu "pedaladas fiscais", mesmo tendo todos os elementos provando. E agora Temer nega "veementemente" que aceitou o fato de Cunha receber propina para não fazer delação, mesmo diante de uma gravação que prova o contrário. O que falta nesse País é caráter. Seja lá em Brasília ou ali na esquina.